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Ensino médio terá mais aulas este ano

Por Da Redação | Com Agência Estado
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A partir deste primeiro semestre, os alunos do ensino médio diurno da rede estadual de ensino terão a grade curricular aumentada de 25 horas para 30 horas semanais. Além disso, terão filosofia como disciplina obrigatória no primeiro e segundo anos. A mudança foi aprovada por 90% dos diretores das escolas, em uma votação proposta pela Secretaria Estadual da Educação na semana passada.

Em Bauru, segundo dados do ano passado, a medida atingirá a maioria dos alunos matriculados no ensino médio regular - são 7 mil no período diurno, contra 5,3 mil no noturno, distribuídos em 27 escolas. Este ano, no entanto, a cidade ganhará mais duas unidades escolares, uma na Vila Dutra e outra no Mary Dota.

Segundo assistente técnico Paulo Maximino, que responde interinamente pelo comando da Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Bauru, a medida com certeza deverá aumentar a oferta de vagas para professores, o que poderá ser notado já a partir da próxima segunda-feira, quando tem início o processo de atribuição de aulas. “Para o professor que já está na ativa não muda nada , pois há um limite de 33 aulas semanais. Por isso, devem surgir mais vagas”, explica Maximino.

A titular da DRE de Bauru, Vera Nilce Lüdke Jarussi, estava ontem na Capital tratando justamente dos detalhes para a implantação da medida já a partir do próximo dia 14 de fevereiro, quando começam as aulas na rede. Segundo Maximino, um dos assuntos em pauta seriam os relativos às medidas que a secretaria poderia implantar para evitar a “defasagem” de horário de saída dos alunos em unidades que comportam classes dos ensinos fundamental e médio.

Com a mudança na grade, explica Maximino, os alunos do ensino médio ficariam cerca de 20 minutos a mais dentro das classes. Para minimizar a situação, a secretaria estuda a implantação de projetos paralelos, como oficinas de leitura, para manter os alunos do ensino fundamental em atividade.

Críticas

Apesar de comemorada por professores e diretores, a mudança é criticada por não se estender ao período noturno, que tem apenas 20 aulas semanais e onde estão 49% dos alunos do ensino médio, e ao ensino fundamental - ambos também perderam aulas em 1998.

Para a conselheira estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) Suzy da Silva, a modificação atende “apenas parcialmente” a reivindicação da classe. “A mudança de 1998 causou prejuízos a muitos professores quer perderam seus empregos. Queremos o restabelecimento da grade adotada até então, com a recuperação do currículo também no ensino fundamental”, diz Silva, que também é dirigente da Executiva da Apeoesp em Bauru.

A opinião é reforçada por Carlos Ramiro de Castro, presidente da Apeoesp. “Isso (a mudança) é muito bom, será uma melhoria na qualidade do ensino. Mas já protocolamos na Secretaria da Educação uma proposta de ampliação da matriz curricular também para o ensino fundamental e o período noturno”, diz.

Suzy da Silva diz que a Apeoesp também está preocupado com uma possível falta de vagas durante o processo de atribuição de aulas, pois a entidade teria informações de que houve fechamento de várias salas na região da DRE de Bauru.

Segundo ela, isso acontece por conta da superlotação de classes. “A Assembléia (Legislativa de SP) aprovou um limite de 35 alunos por sala, mas o (governador Mário) Covas vetou o projeto e depois o (Geraldo) Alckmin confirmou o veto”, explica, ressaltando que o sindicato luta pelo limite definido no projeto.

Para completar, continua Silva, em Bauru a prefeitura inaugurou várias escolas municipais de ensino fundamental (Emefs) que acabam absorvendo os alunos que saem da educação infantil (Emeis), também municipal. “Com isso, a rede estadual acaba perdendo mais alunos e o número de vagas para professores diminui”, conclui a dirigente.

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A votação

Optaram pela ampliação da grade curricular para o ensino médio, na votação de seis dias pela Internet, diretores de 2.772 escolas da rede, que representam 77% do total. Eles escolheram pelo aumento da carga de aulas e pela maneira como ela será distribuída - 64% dos votos foram para a proposta já formulada pela secretaria.

Dessa maneira, os alunos terão na semana mais uma aula de português, matemática, história e geografia. No primeiro e segundo anos do ensino médio, eles terão duas aulas de filosofia.

Para os de terceiro ano, a escola poderá optar por duas aulas de sociologia ou de psicologia - e também por uma aula a mais de biologia, física e química, a critério de cada escola. Na votação pela Internet, as disciplinas de livre escolha mais indicadas foram psicologia, com 39% dos votos, e sociologia (36%).

De acordo com o secretário da Educação, Gabriel Chalita, no início, os professores das novas disciplinas, que terão de ter formação específica, serão chamados pela secretaria com base no concurso realizado no ano passado. No decorrer do ano, existe a possibilidade de realização de um novo concurso. No entanto, todos passarão por um processo de capacitação. “Já temos professores na rede e na lista de espera para começar as aulas”, garantiu Chalita.

A mudança era uma reivindicação dos professores e diretores desde 1998, quando o governo Mário Covas, na gestão da secretária Rose Neubauer, diminuiu o período de aulas, passando de seis para cinco horas diárias. Para a implementação, o governo pretende investir R$ 90 milhões.

Da Redação

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