Comemoramos no dia 30 de janeiro o Dia da Não-violência, dentro de um ano em que a Igreja Católica no Brasil coloca como tema da Campanha da Fraternidade: Felizes os que promovem a Paz!
Os conceitos de paz e violência sofrem mudanças contínuas nas diversas sociedades e nos diversos períodos da história, assim como o tipo e a natureza dos conflitos e o grau de percepção e visibilidade deles pelas pessoas, instituições e governos.
O fim da Guerra Fria esquentou a globalização, uma nova forma de guerra, aparentemente incruenta, promovida pelos blocos econômicos poderosos, que tem matado mais que balas e baionetas nas guerras convencionais. A globalização tem revelado o lado pernicioso da violência estrutural que segundo Minayo “caracteriza-se pelo destaque na atuação das classes, grupos ou nações econômica ou politicamente dominantes, que se utilizam de leis e instituições para manter sua situação privilegiada, como se isso fosse um direito natural”.
Essas classes, grupos ou nações econômica ou politicamente dominantes impõem condições extremamente adversas e injustas, gerando quadros de miséria, concentração de renda, esbulho dos trabalhadores, crianças nas ruas, falta de condições mínimas para a vida digna, falta de assistência em educação e saúde, violação dos direitos humanos.
Analisando o Brasil de ontem, que ainda é hoje, chegamos a Brovetto que afirma: “políticas econômicas e sociais que colocam em risco a saúde, educação e emprego de amplos setores da população são também formas de violência, à medida que impedem a plena realização intelectual e física das pessoas”.
Trazendo a reflexão do tema para os níveis menos visíveis no nosso cotidiano, analisemos a violência doméstica envolvendo as nossas crianças, nas suas diversas manifestações negativas: a violência física retratada no emprego da força ou em atos de omissão visando lesionar ou não a criança a título de controlá-la e educá-la, pela utilização de agressões diretas ou indiretas; a violência psicológica (xingar, humilhar, agredir com palavras) expressando rejeição, depreciação, discriminação, desrespeito e punições exageradas que deixa marcas por toda a vida; a negligência, ou seja, omissões quanto à responsabilidade de prover as necessidades básicas para seu desenvolvimento; a violência sexual e outras barbáries.
No Brasil, cerca de 70% dos casos de violência contra crianças e jovens têm os pais como agressores. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que médicos e professores são obrigados a denunciar todos os casos suspeitos ou confirmados de maus-tratos a crianças aos órgãos competentes. Entretanto, a maioria das denúncias de abuso físico, sexual e psicológico contra criança é feita por vizinhos e por telefonemas anônimos.
Promova a paz! Promova a não-violência em sua casa, em sua escola, em sua empresa, em sua profissão, em sua repartição, em sua cidade!
O autor, Pedro Antonio Domingues, é professor da Universidade São Francisco