A legião de adeptos do churrasquinho preparado na calçada, de forma improvisada, agrega à preferência gastronômica o tom de confraternização nos encontros de amigos, principalmente às sextas-feiras à tarde, ajudando a combater a rotina cheia de afazeres da semana. Sem o espetinho, certamente a conversa não teria o mesmo sabor e nem a cerveja gelada desceria tão bem.
Os grupos de amigos que não dispensam o churrasquinho enquanto batem-papo estão na área central da cidade e nos bairros. Assim é que Jair Fernandes, José Luís Pedon, Antonio Rocha Basílio, Santos Tonus Neto e Adelar Kohlrausch comemoram a chegada da sexta-feira. Para eles, é quase uma cerimônia a reunião no bar da esquina das ruas Ezequiel Ramos com Gustavo Maciel, bem no centro da cidade.
Sentados nas mesas colocadas na calçada, nada e ninguém perturba a turma, que não se incomoda com o trânsito frenético do final da tarde, com todos motoristas disputando a passagem no movimentado cruzamento das vias. Nem a fumaça que sai da churrasqueira e muito menos a disputa de espaço com os pedestres, que correm para todos os lados saindo do expediente de trabalho, os atrapalham.
Fernandes define o clima na calçada como ideal para relaxar, encontrar os amigos, “jogar conversa fora” e bater um papo descontraído. As conversas do grupo versam sobre fatos banais, em tom de brincadeira, e assuntos sérios. Entretanto, tudo em um clima ameno, graças ao churrasco e à cerveja.
Assim se vive e assim se dispensa o jantar e o final de semana começa agradável. A calçada do estabelecimento comercial é toda tomada por fregueses, muitos aproveitam para uma “boquinha” antes de enfrentar a volta para casa, o horário de entrar em sala de aula, à espera de alguém que promete vir, e há gente que aproveita a comida e o ambiente para fazer o tempo passar. O bar oferece churrasco de cafta, carne, frango e lingüiça de pernil, deliciosos acompanhamentos preparados pelo churrasqueiro Rodrigo Moreno, que garante vender a cada dia no mínimo 200 espetinhos.
Do balcão, sua mãe Aparecida Moreno define que, para seus fregueses, cerveja tem de ser acompanhada de carne. Da mesa na rua, Fernandes completa dizendo que a “casa” oferece porções generosas de torresmo, que tem uma panceta classificada pelo freguês como uma “perdição para o colesterol”.
Seja qual for o motivo, seja qual for a marca da cerveja, o churrasco tem um aroma inconfundível que é a senha para se encontrar uma reunião animada e que se revitaliza a cada nova sexta-feira.
Mania
Os pontos de encontro se multiplicam em Bauru. Às18h15 de ontem, o burburinho na esquina das ruas Hermínio Pinto com Constituição, no Higienópolis, sinalizava que ali é um ponto sagrado do espetinho de sexta. O ritual se repete no bar da rua General Marcondes Salgado, esquina com a Guaicurus.
No boteco da Marcondes Salgado, o gerente de uma microempresa Edno de Lima define que a sexta-feira é sagrada para assar uma carne e jogar sinuca com os amigos. Ontem, a churrasqueira instalada numa área externa assava uma costela apetitosa. João Viani, que estava no bar dando uma “força” para o proprietário ausente, explica que o pessoal faz uma “vaquinha” às sextas-feiras para o churrasco.
O ponto comercial entraria apenas com a bebida. Segundo ele, o ritual é repetido às quartas-feiras. Depois de uma tacada de bilhar, um dos freqüentadores confessou que não há coisa melhor do que churrasco com cerveja.
É dessa forma descontraída que muitos brasileiros recarregam suas “baterias” para o fim-de-semana.
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Investimento
Na Vila Falcão, muitos são os pontos propícios para saborear um churrasquinho. É possível até fazer um rápido tour pelos temperos pois não faltam opções. Primeiro prova-se o espetinho do trailer fixado na quadra 7 da Campos Salles, na esquina de um supermercado, depois o da lanchonete localizada na esquina das ruas Carlos de Campos com Wenceslau Braz. E completa-se o roteiro do churrasquinho em um bar da rua dos Andradas.
O proprietário do trailer investiu R$ 1.200,00 na modernização de seu ponto e fez um curso de capacitação para lidar com alimentos no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Bauru). Seu trabalho saiu do “anonimato” e atrai a freguesia, inclusive aqueles que não têm nada para comprar no mercado, na padaria, ou mesmo usar o serviço da lotérica do outro lado da rua.
O comerciante conta que vende 180 espetinhos por dia e o movimento no local não pára depois que ele substituiu a bancada pelo trailer. Tanto que, ao seu lado, já se fixou um carrinho de churros, aproveitando os “bons ventos do churrasco”. Afinal, uma iguaria salgada e saborosa pode ser complementada com uma sobremesa também deliciosa.