A maioria dos cachorros de rua recolhidos pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) em Bauru é sacrificada porque não aparecem interessados em adotá-los. Por semana, a “carrocinha” captura cerca de seis cães errantes na cidade. Como o sistema foi implantado em outubro do ano passado, a estimativa é que quase 100 animais já foram retirados das ruas, mas somente 13 foram adotados neste período. Ana Paula Nardo Silva, diretora da Divisão de Vigilância Sanitária e Epidemiológica, avalia que a leishmaniose prejudica o processo de adoção de animais.
Neste ano, apenas três cães conseguiram um lar e não engrossam o baixo índice de adoção, de apenas 13% dos animais recolhidos nas ruas. Ana Paula ressalta que a equipe do CCZ recolhe cachorros quando o processo de averiguação de suspeita de leishmaniose é confirmado ou se ele atropelado ou ainda estiver causando incômodo aos moradores.
Cumprindo uma norma legal, Ana Paula afirma que um cachorro fica no máximo cinco dias no CCZ à disposição para adoção. Após esse período, já é encaminhado para ser sacrificado. Ela garante que só são disponibilizados para a adoção animais sem nenhuma suspeita de doença, inclusive a leishmaniose.
Porém, um dos 13 cachorros doados pelo CCZ desenvolveu a doença e foi reencaminhado para o órgão para o sacrifício. O casal Fernanda Michilino de Oliveira e Márcio Aparecido Portella ficou poucos dias com a cadela adotada do CCZ, que recebeu o nome de. Akita.
Eles tiveram de devolver o animal após a confirmação da doença. Casada recentemente, Fernanda explica que sentia falta de companhia, já que seu marido trabalha grande parte do dia. Foi ao CCZ ao receber uma informação de que no canil da instituição havia um animal de porte e, aparentemente, saudável.
De pronto, conta Fernanda, ela se encantou pela cachorra e decidiu pela adoção. Segundo Fátima Schroeder, bióloga da Naturae Vitae, Organização Não-Governamental de defesa dos animais, a cadela já teria um machucado na pata traseira esquerda e apresentaria esfoliações na pele.
O médico veterinário do CCZ, Luiz Ricardo Paes Cortez, esclarece que, como a cachorra era recém-chegada, estava sob observação. Ele explica que foi constatado um processo infeccioso no vão dos dedos de uma das patas traseiras, provavelmente, causado por uma bactéria que não é transmissível para o homem.
O veterinário lembra que Fernanda recebeu medicamento para a continuidade do tratamento da cadela em sua residência. Antes do animal deixar o Centro de Controle de Zoonoses, foi feita a coleta de sangue para um teste de leishmaniose preventivo.
Nas semanas que se passaram, Fernanda notou que o animal soltava muito pêlo. O casal se apegou ao animal e nesta semana, ao entrar em contato com o CCZ, descobriu que o resultado do exame de sangue havia dado positivo para leishmaniose.
Ao saber de que a cadela precisaria ser sacrificada, Fernanda conta que ficou abalada. Porém, acatou a determinação do CCZ, que recolheu o animal para sacrifício. “Estamos revoltados. Isso não podia ter acontecido”, ressalta.
Fátima suspeita que, como a cadela estava com carrapatos, o resultado do exame talvez não tenha apontado leishmaniose, mas sim erlichiose (doença do carrapato).
Já Cortez tem plena confiança no exame feito pelo Instituto Adolfo Lutz, laboratório de referência para as análises clínicas, que demora em média de 40 a 45 dias. Mesmo afirmando que há margem de erro, ele acrescenta que sua certeza se baseia no procedimento adotado pelo laboratório.