Para tentar minimizar as dificuldades de produtores culturais, profissionais envolvidos com artes e até mesmo dos municípios, o Ministério da Cultura (MinC) está divulgando o Programa de Cultura, Educação e Cidadania “Cultura Viva”, que vai selecionar projetos populares e distribuir R$ 185 mil para cada iniciativa escolhida.
Nesta semana, o secretário do Ministério da Cultura (MinC) Célio Turino, esteve em Bauru para divulgar o programa e se reuniu com prefeitos, secretários e produtores culturais de toda a região. Ele aponta que o “Cultura Viva” tem o objetivo de ampliar o acesso à cultura, com atividades e ações principalmente voltadas a populações mais carentes de recursos nessa área, como bairros pobres, favelas, pequenos municípios, quilombos, áreas rurais e indígenas.
De acordo com o secretário, o intuito do programa é criar Pontos de Cultura, espaços nas comunidades com a função de organizar as atividades locais, conectado com todos os outros pontos do Brasil, além de oferecer oportunidades para os jovens das comunidades. “Nosso objetivo é fomentar atividades populares que já existem, mas que contam com poucos recursos e reconhecimento público. Preferimos, nesse primeiro momento, investir em trabalhos já realizados com sacrifício, que terão um bom aporte de recursos”, ressalta.
Na opinião de Turino, o “Cultura Viva” foi criado para combater uma situação de deficiência de projetos, produtores e órgãos culturais, que vislumbram apenas projetos de grandes proporções e deixam parcialmente de lado as ações culturais populares das comunidades.
Para o secretário, o País vinha apresentando uma concentração de investimentos em grandes eventos nos últimos anos, deixando de lado as ações culturais continuadas e de formação. “Por outro lado, os agentes culturais percebem a falta de recursos e acabam nem dando o primeiro passo para consegui-los por olharem sempre para os grandes objetivos. É importante que tenhamos uma reformulação nisso”, frisa.
Maracatu e hip hop
A visita do secretário a Bauru, a convite da Secretaria Municipal de Cultura e da vereadora Majô Jandreice (PC do B), ocorreu porque a região não apresentou nenhum projeto para a última seleção do programa, no ano passado. De acordo com Turino, o objetivo do MinC é ampliar o número de Pontos de Cultura dos atuais 262 para 1.000 até o próximo ano. Ele destaca que os pontos existentes abordam atividades de todas as linguagens artísticas, do maracatu, ações indígenas e caiçaras ao hip hop e dança moderna.
Atualmente, 18% dos pontos estão no Estado de São Paulo. “Tentamos selecionar os projetos do País todo, de forma equilibrada. São Paulo já tem vários pontos e estou vindo à região de Bauru porque não tivemos projetos daqui. São Paulo é um Estado rico, mas também tem grandes carências. Não queremos fazer uma ação cultural concentradora, mas sim para as reais necessidades das comunidades, numa ação de permanência”, diz o secretário do MinC.
Turino reitera que a dificuldade na obtenção de recursos para ações culturais muitas vezes está relacionada com a elaboração dos projetos para programas de estímulo e incentivo. “O Brasil é muito grande, e mesmo que cheguemos a 1.000 pontos, ainda é pouco para os 6 mil municípios. É preciso ter uma capacitação na área de projetos, pois às vezes faltam ações no sentido de elaborar projetos que sejam claros e exeqüíveis. O pessoal não sabe dizer exatamente o que gostaria”, finaliza.
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‘Cultura Viva’
O programa já possui 262 Pontos de Cultura estabelecidos no País, com previsão de chegar a 1.000 até o próximo ano. Cada ponto recebe uma verba de R$ 185 mil, dividida em cinco parcelas. A primeira é normalmente destinada para a montagem de um estúdio para gravação de CDs, compra de uma câmera de vídeo digital, computadores e instalação de Internet banda larga, para possibilitar a conexão com outros pontos e troca de experiências entre os usuários.
As outras parcelas podem ser usadas para a melhora do espaço físico do ponto ou para a promoção de atividades e oficinas culturais. Além dos recursos, o governo federal destina para cada ponto 50 bolsas do Programa Primeiro Emprego, para jovens de 16 a 24 anos com renda per capita de até meio salário mínimo. Os jovens passam a realizar atividades integradoras para a divulgação da cultura popular nas comunidades.
O MinC deve publicar edital público para seleção de novas inscrições no “Cultura Viva” entre a última semana de fevereiro e a primeira semana de março, destinadas para projetos de prefeituras e também projetos localizados, sem ligação direta com o poder público. Mais informações no site www.cultura.gov.br.