As políticas do governo Lula de democratização do acesso à universidade - as cotas étnicas e econômicas e o Prouni - são talvez a única coisa realmente boa e inovadora que este governo produziu desde que assumiu. No entanto, essas políticas vêm sendo atacadas impiedosa e continuamente pela imprensa.
Os ataques são feitos em defesa do modelo de acesso ao ensino superior que vigiu durante décadas - e que ainda vige na maior parte do país - e que é o responsável pela desproporcional composição étnica e econômica dos universitários brasileiros e pelo baixíssimo número deles, em comparação com o de países até menos populosos e mais pobres que o nosso.
No caso das cotas, principalmente, o argumento é o de que o modelo tradicional de seleção para ingresso no ensino superior é uma maravilha que seleciona as melhores cabeças, quando na verdade o que seleciona é aqueles que pertencem às famílias mais abastadas, que têm condições de cursar as melhores escolas e de só estudar, sem trabalhar.
No caso do Prouni, a crítica é confusa. Inventa-se um monte de “razões”, sem que nenhuma fique bem clara.
No fim das contas, o que se percebe é que o que se quer mesmo é manter o ensino superior como prerrogativa de brancos da classe média para cima - o perfil majoritário dos poucos universitários brasileiros -, mantendo assim o Brasil como o país não-miserável - os mais desiguais que o nosso são africanos miseráveis - de maior concentração de renda do mundo.
Se o governo Lula tiver coragem de manter essas políticas de democratização do acesso à universidade, enfrentando a pressão da imprensa e das elites, elas poderão justificar sua eleição. Quando tiverem se espalhado pelo país, alguma coisa nele finalmente terá mudado para melhor. (O autor Eduardo Guimarães, é empresário)