Saúde

'Licença deveria durar dois anos'

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Preocupada com a incidência cada vez maior de infecções nos bebês, a médica Maria Clara de Magalhães defende a extensão da licença maternidade de quatro meses para dois anos. A licença seria integral nos primeiros seis meses e parcial (a mãe cumpriria metade de sua jornada de trabalho) até o bebê completar dois anos de idade.

“Seria muito útil para o bem-estar das novas gerações que tivéssemos uma licença-maternidade mais extensa e uma volta mais gradual ao trabalho. Os bebês e suas mães sofreriam muito menos”, alega.

Além de postergar a matrícula dos pequenos nos berçários e, assim, minimizar a chamada síndrome do berçário (infecções de repetição), a medida seria uma forma realmente eficaz, segundo ela, de incentivar o aleitamento materno como fonte exclusiva de nutrição do bebê nos primeiros seis meses de vida.

“É o que a Organização Mundial de Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam”, reforça o pediatra Francisco Garcia Neto. “Entrando na creche aos quatro meses, o bebê acaba sendo desmamado mais cedo, o que retira um importante fator de proteção à saúde da criança”, acrescenta.

Ele explica que trocar o peito da mãe pela mamadeira e incluir outros alimentos à dieta do bebê requer um período de adaptação. “Então, quando o pediatra sabe que a mãe vai voltar a trabalhar em quatro meses, ele começa a introduzir suquinhos na alimentação do bebê já aos dois meses. Aos três meses introduzimos papinha de frutas e com quatro meses o bebê já come papinha salgada”, informa.

Quando a creche fica perto da empresa onde a mãe trabalha, é possível continuar amamentando, pois a lei garante dois intervalos de meia hora durante a jornada para isso. “Só que, na maioria dos casos, a creche fica longe, inviabilizando essas pausas. Aí, a mãe não tem outra saída, senão interromper o aleitamento”, lamenta.

Uma publicitária que pede para não ser identificada confirma o problema contando o próprio exemplo. Ao fim da licença, matriculou o filho num berçário. Logo surgiram as primeiras febres, uma otite e os antibióticos.

“Ele ficou 20 dias afastado da escola, uma semana depois que voltou, a otite reapareceu, só que aí afetou também a garganta e o médico disse que poderia evoluir para pneumonia”, lembra.

“Usando outras palavras, ele disse que ou eu tirava o Felipe da escola, ou que mudasse de médico. Tirei meu filho da escola e minha mãe, que mora em Duartina, agora tem que vir para Bauru toda semana ficar com ele. Mudou totalmente a vida dela, do meu pai e irmãos. Mas não tive outra saída, porque não posso ficar sem trabalhar”, completa.

Pediatra do Pronto-Atendimento Infantil (PAI) de Bauru, a médica Sandra Caldeira Veloso Cariello também apóia a ampliação da licença-maternidade. “Como mãe e médica, eu acho que quanto mais tempo a criança puder ficar aos cuidados da mãe, melhor, porque há coisas que só ela pode fazer”, observa.

Para Cariello, cuidar melhor do bebê significa um investimento enorme para a sociedade a médio e longo prazos. “A gente costuma pensar nos prejuízos imediatos da mulher parada, mas um bebê bem cuidado vai ser um adulto mais saudável, que vai custar menos para a rede pública de saúde, vai faltar menos ao trabalho e vai ser muito mais equilibrado psicologicamente, porque mãe é confiança”, defende.

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