O titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Carlos Barbieri, vai viajar hoje para Piracicaba com a missão de buscar, num dos principais centros de excelência agronômica do País - a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) -, a ajuda necessária para implantar em Bauru um programa de arborização de longo prazo.
Segundo Barbieri, engenheiro florestal formado na própria Esalq, o objetivo da visita será a busca de um convênio com a universidade para elaboração de projeto que possibilite a montagem de uma espécie de “inventário da floresta urbana” da cidade.
“Será como um censo, de casa em casa, para levantar quais as espécies, se estão afetadas por pragas, localizadas embaixo da fiação ou perto de bocas-de-lobo. Enfim, será uma verdadeira ‘fotografia’ da arborização da cidade”, prevê Barbieri, lembrando que projetos de arborização urbana, com a participação da Esalq, já foram desenvolvidos com sucesso em Piracicaba e São Carlos.
O principal objetivo deste levantamento, explica o secretário, seria orientar o trabalho de substituição das árvores com problemas (doentes, mal localizadas ou de espécie inadequada, por exemplo). “Bauru nunca teve um planejamento nesta questão, que vem sendo tocada sem qualquer critério. Queremos um plano de arborização para durar, pelo menos, por 20 anos. E sem problemas”, destaca.
Trabalho semelhante chegou a ser anunciado no final da administração passada, quando o então titular da Semma, Kazumi Kobayashi, disse ao JC que pretendia dar início a um projeto-piloto para “mapear” a situação arborística da cidade - este “piloto” seria realizado, inicialmente, apenas na região central de Bauru. O objetivo da empreitada, segundo o ex-secretário, seria o de “orientar” as ações do próximo prefeito na área do meio ambiente.
Consultado, Kobayashi admitiu que o seu projeto não saiu do papel pela “pouca quantidade de técnicos” na Semma. Ele disse que chegou até mesmo a trazer para a Semma um técnico da Secretaria do Planejamento (Seplan), que ficaria responsável pelo geoprocessamento das informações. Com isso, explica, os dados coletados nas ruas já seriam incluídos automaticamente na base de dados da prefeitura.
O ex-secretário elogia a iniciativa de se buscar convênio com Esalq - onde também se formou como engenheiro agrônomo -, pois acredita que este tipo de relação confere credibilidade ao projeto, mas ressalta que Bauru possui “particularidades” que precisarão ser levadas em conta. “Nossa cidade é diferente de Piracicaba. Aqui, os moradores têm aversão a árvores, pois a vêem como fonte de problemas e sujeira. Tomara que dê certo”, diz.
Na Esalq, Barbieri buscará contato com o professor Ricardo Ribeiro Rodrigues, considerado um dos principais consultores em nível nacional na área de floresta. E se mostra confiante nos resultados de sua “missão”. “Não acho que a Esalq negaria ajuda a um de seus ‘filhos’. Acredito que em um mês estaremos com o convênio assinado”, prevê o secretário.