Bairros

Remédios continuam escassos em postos

Da Redação
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Ainda não foi desta vez que a aposentada Maria (nome fictício), 62 anos, conseguiu mudar o enredo da “novela” da falta de remédios nos postos de saúde da qual é personagem há vários anos. Hipertensa e diabética, a aposentada foi anteontem à unidade da Bela Vista para um atendimento de enfermagem de rotina e também para buscar seus remédios de uso contínuo e obrigatório. Mais uma vez, porém, saiu de mãos abanando.

Paciente no Posto de Saúde da Bela Vista há sete anos, Maria diz que a escassez de remédios acontece “desde os tempos do Izzo (ex-prefeito Antônio Izzo Filho, que deixou o cargo definitivamente em fevereiro de 1999)”. “Ontem (anteontem) não foi a primeira vez. O remédio do diabetes, então, já faz meses que não tem”, diz.

Mesmo com a prescrição médica em mãos, a aposentada não conseguiu os remédios para os controles da pressão alta (Pressel/Enalapril) e do diabetes (Glucoformin/Metformina). “Muitas pessoas que estavam lá (anteontem) também não conseguiram (remédios)”, diz Maria, que prefere não se identificar para “evitar constrangimentos” nas futuras consultas.

Nestas ocasiões, a aposentada recorre à ajuda da família e compra os remédios nas farmácias comerciais - o tratamento “particular” representa um custo mensal aproximado de R$ 50,00. “Mas tem muita gente que não tem condições para isso”, diz.

Ela também reclamou de um suposto “comodismo” dos funcionários do posto diante da falta dos remédios. “Só me disseram que não tinha (os remédios) e que eu voltasse em outro dia. Ninguém estudou a possibilidade de existir os medicamentos em outros postos”, conta.

O diretor do Departamento Administrativo da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio de Souza, garantiu ontem que os remédios “estão chegando” nos postos. No último dia 24, a médica Tereza Faifer, titular da pasta, anunciou que uma de suas primeiras providências foi justamente determinar uma compra emergencial de medicamentos no valor de R$ 594 mil.

Ontem, Souza informou que mais R$ 600 mil serão empenhados ainda este mês, também com medicamentos, numa tentativa de regularizar os estoques. “Acreditamos que em três meses será possível regularizar os estoques de remédios num índice muito próximo dos 100%”, garante.

Souza disse que o empenho (autorização de pagamento) já saiu, a compra foi feita e que os estoques começam a ser regularizados. O diretor admitiu, no entanto, que pelo menos até ontem os remédios para controles da hipertensão e diabetes realmente ainda não haviam chegado às prateleiras da unidade da Bela Vista. “Mas estão para chegar”, garantiu, prevendo que isso aconteça logo após o Carnaval.

Atraso

Souza destaca que esta compra inicial de R$ 594 mil refere-se ainda a necessidades do segundo semestre do ano passado, ocasião em que a prefeitura teria comprado “muito pouco” para abastecer o sistema de saúde com medicamentos, o que acabou causando um “rombo” nos estoques. Segundo levantamento da Secretaria de Saúde, entre remédios e material hospitalar, 72 itens foram encontrados completamente zerados pela nova administração. Na área de odontologia, 77 itens de medicamentos estavam em falta.

Sobre a eventual carência de remédios de uso contínuo para controle de doenças crônicas, Souza recomenda aos pacientes que relatem o problema aos chefes das unidades, que têm condições de pesquisar em outros postos a existência do referido medicamento. “Se o paciente estiver cadastrado no posto, na maioria das vezes há como resolver esta questão. Em último caso, a própria Secretaria (da Saúde) deve ser acionada”, diz.

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