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Série A2: Norusca rompe com torcida organizada

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 3 min

Damião Garcia condenou as hostilidades de alguns elementos da Sangue Rubro, quinta-feira à noite, apesar da vitória sobre a Matonense por 1 a 0, pelo Campeonato Paulista da Série A2.

Segundo o presidente do Noroeste, as relações com a principal facção da torcida organizada estão cortadas, pelo menos temporariamente.

“Ao invés de comemoração pelo resultado, aconteceu um ato de vandalismo, que me entristece muito”, afirmou Damião Garcia, explicando que não adianta ele receber elogios, se outras pessoas do clube recebem insultos e tentativas de agressões.

“O time melhorou em relação aos jogos anteriores e venceu. Mas mesmo que tivesse perdido, não há justificativa para as agressões. Não precisamos de torcedor desse tipo, prefiro que eles nem apareçam no estádio”, disse Damião, consolando a funcionária do Noroeste, Josaine Cardoso, a Josi, que foi a principal vítima das cenas de selvageria. Josi contou que ela e a colega de trabalho Elaine, sofreram humilhações e quase foram agredidas.

“Dez ou 15 torcedores com a camisa da Sangue Rubro cercaram meu carro na entrada do portão e me chamaram de vagabunda, p. além dos pontapés no veículo, causando danos na lataria. Alegaram que eu joguei o carro contra eles, mas não foi isso. Como eu estava assustada, acelerei um pouco para fugir da fúria deles. Depois, na rua, um torcedor investiu contra mim e só não me agrediu mais graças ao Pavanello, que interferiu”.

Josi lamentou a ausência da polícia no local, e procurava indentificar o agressor para fazer um Boletim de Ocorrência ainda ontem.

Celso Zinsly, por sua vez, chegou a pedir demissão do cargo, estava irredutível, e só voltou atrás por causa dos apelos de Damião.

“Coloco muito dinheiro, sim, do meu bolso. Mas não adianta gastar, se eu não contar com uma pessoa talentosa, de minha confiança. Tudo que foi feito no estádio foi planejado pelo Celso”, diz o presidente.

Membros da comissão técnica, funcionários do clube, alguns jogadores e imprensa, também lamentaram o triste acontecimento. Segundo eles, foram ofensas que partiram das arquibancadas durante a partida, e na entrada de um dos principais portões do Estádio Alfredo de Castilho.

“Nossa torcida é maravilhosa e vem nos apoiando. A média por jogo desde o ano passado, tem sido de três mil pessoas. Esses são noroestinos de verdade. Já a organizada, com 40, 50 ou 70 integrantes, sei lá, não representa nada. Não será por causa dela que vamos subir para a Série A1 e nem cair para a A3”, afirmou Celso Zinsly.

Dizendo que Sinuhe Daniel - fundador da extinta Noruscaipira - é um grande noroestino, “além de ter educação”, Celso lembra de outro protesto da Sangue, que segundo ele, foi injusto.

“Num jogo que perdemos em Mirassol, no ano passado, pagamos o ônibus para a viagem da Sangue Rubro, o ingresso da partida, e sabe qual foi o reconhecimento? Viraram a faixa de ponta cabeça, vaiaram nosso time e gritaram olé. São torcedores que ao invés de ajudar atrapalham”.

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Pavanello pede desculpa

José Roberto Pavanello, criador e atual presidente da Sangue Rubro, pede desculpa pelo incidente depois do jogo contra a Matonense, no portão que dá acesso aos vestiários e centro de treinamento do estádio.

“Realmente houve uma confusão e condeno todo o tipo de hostilidades. Peço desculpa ao Noroeste, principalmente a funcionária do clube. Estou muito chateado, foi lamentável”, disse Pavanello.

“É difícil controlar um grupo que tem dezenas de pessoas e conter os mais exaltados. Mas tem uma coisa: torcedor que não é sócio, adquire uma camisa da Sangue e se infiltra no meio”.

O líder da torcida organizada garante que episódio como o de quinta não se repetirá, e gostaria de se reunir com Celso Zinsly.

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