Política

Alckmin admite ceder área da Cesp

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse ontem, durante visita à sede da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) em Bauru, que vai analisar a cessão da área onde funcionava a estrutura operacional da Companhia de Energia do Estado de São Paulo (Cesp) para a Prefeitura Municipal de Bauru. A cessão, segundo ele, precisa ser analisada através de comodato, sem a transferência do patrimônio em doação.

Alckmin também afirmou que a Companhia de Transmissão de Energia do Estado de São Paulo (CTEEP) não será vendida em seu governo. Ele enviou projeto de lei à Assembléia Legislativa (AL) para incluir a CTEEP no programa de desestatização. Mas, segundo o governador, a medida visa permitir que a CTEEP seja dada como garantia para a capitalização de recursos para a Cesp.

Ele ainda garantiu que a rodovia Marechal Rondon (SP 300) não será privatizada. O Estado vai investir recursos próprios para recuperar a pista, mas a rodovia continuará sendo estatal. Alckmin também descarta a instalação de novas praças de pedágios durante sua gestão.

O governador visitou a sede da Apae em Bauru e o Hospital Estadual, depois de ter vindo da solenidade de lançamento da pedra fundamental da fábrica da Ajinomoto (matéria completa no caderno de Economia, na edição de amanhã), em Pederneiras. Depois de Bauru, Alckmin passou por Igaraçu do Tietê para entregar viatura policial, Cabrália Paulista, Guarantã e Cafelândia, também para entregar veículos para as polícias Civil e Militar.

Leia os principais pontos da entrevista coletiva concedida ontem:

Jornal da Cidade - O senhor vai alienar a CTEEP para oferecer a companhia como garantia em financiamento junto ao BNDES ou ela vai ser privatizada?

Geraldo Alckmin - Nós não pretendemos privatizar nem a CTEEP nem a Cesp. Nenhuma das duas empresas será privatizada. A Cesp é a terceira maior geradora de energia do país e a CTEEP é transmissora de energia. O que nós precisamos é capitalizar a Cesp, porque ela já vinha com problema de dívida de curto prazo e foi agravado porque com o último leilão de energia a Cesp vai perder R$ 490 milhões de arrecadação só neste ano. Nós estamos vendendo energia que era R$ 78,00 o megawatts a R$ 61,00 o megawattts e no mercado atacadista a R$ 30,00. As geradoras foram muito prejudicadas. Nós pretendemos capitalizar a Cesp, colocando a CTEEP dentro da Cesp, não para vender, mas para fortalecer a Cesp. E o BNDES entra com parte dos créditos que tem com a Cesp. Então não privatiza nem uma, nem outra. Esta é a proposta levada ao BNDES.

JC - Quando o Estado decide investir na recuperação da Rondon está também decidindo não privatizar esta rodovia?

Alckmin - Nós não vamos fazer a concessão, a Rondon vai continuar sendo administrada pelo DER e vamos investir mais de R$ 70 milhões. São dois lotes, um de Tietê a Botucatu e outro lote de Botucatu até Bauru. Ela vai ser recuperada. Mas a Rondon não está em programa estadual de concessão. Na rodovia Bauru-Marília estamos com uma frente de duplicação saindo de Bauru até Piratininga e vamos iniciar uma outra frente vindo de Marília. Já duplicamos até Vera Cruz e agora vamos até Garça, incluindo o trecho de acesso em Garça que é muito perigoso. Não tem pedágio e não terá pedágio. Vamos fazendo passo a passo porque depende do tesouro paulista.

JC - O senhor resiste a solicitações de dentro do próprio governo de realizar concessões de trechos para duplicação, como a Bauru-Ipaussu com pedágios?

Alckmin - Eu não pretendo instalar nenhuma praça de pedágio. Nós já fizemos concessão que está indo bem, são 12 concessionárias, grandes artérias do Estado de São Paulo e vamos fazer os outros investimentos com recursos do tesouro. Vamos investir por exemplo de Iacri a Adamantina e a ponte ligando São Paulo ao Mato Grosso do Sul, sobre o rio Paraná, está indo muito bem. Esperamos no ano que vem estar com a ponte pronta.

JC - Qual a viabilidade do Estado ceder a área onde atuava a Cesp para a prefeitura de Bauru?

Alckmin - A Cesp é estatal, mas o Estado não é o único dono, tem o capital majoritário. Doar a área então não pode. Mas o Estado pode discutir a cessão em comodato de setores que abrigavam a sede para a prefeitura. Vamos ver o interesse do prefeito Tuga e discutir a questão, verificar a área e a destinação. Mas nós podemos discutir comodato. Vou verificar isso.

JC - O senhor fez críticas ao comentário do presidente Lula sobre a Febem. O que o senhor espera do governo federal nesta área?

Alckmin - O que eu coloquei no caso da Febem é que é fácil criticar, mas nós precisamos é de parceiros. O governo federal não pode ser comentarista, precisa ajudar. Essa questão de reeducação do jovem infrator é uma tarefa de todos, dos três níveis de governo, Federal, Estadual e Municipal, e da sociedade, dos pais, da família, da igreja, da escola. É uma tarefa de todos. Eu não critiquei o governo Lula, eu defendi o presidente Fernando Henrique. O presidente Lula vem a São Paulo comparar o governo FHC como se este fosse o tsunami, a onda que atingiu a Ásia. Uma comparação infeliz porque o país hoje tem política fiscal, monetária, cambial. É preciso ter o mínimo de Justiça. O Brasil precisa de menos discurso e mais eficiência.

Imprensa - O aeroporto fica pronto no ano que vem?

Alckmin - O aeroporto fica pronta no ano que vem desde que nós tenhamos recursos do Profaa, da área federal, que foram repassados com atraso. O atraso que tivemos na obra foi em razão da demora na assinatura dos convênios.

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Área interessa

O prefeito Tuga Angerami (PDT) comentou, ontem à noite, que a proposta de cessão da área onde estava instalada a sede da Cesp interessa ao Município.

O chefe do Executivo não vê, inicialmente, a sede como um local para abrigar espaços administrativos do governo, mas considera que a boa estrutura da sede da Cesp pode abrigar outros projetos. “Nos interessa discutir isso com o Estado. Não no ponto de vista do deslocamento da administração municipal agora, porque seria afastar demais o local da população e hoje não temos vias expressas de acesso. Pode vir a ter no futuro. Mas podemos utilizar esse espaço para vários projetos”, conta.

Angerami coloca, entre as idéias que podem ser discutidas, “a instalação de incubadoras de empresas, projetos de embriões industriais, tem espaço amplo para Centro de Convenções, exposição e outras alternativas que podem ser levantadas”, aborda.

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