Enquanto a maioria dos filmes de ação e aventura caem no foço do roteiro zero e efeitos especiais de montão entremeados por dezenas de clichês, algumas produções conseguem demonstrar vida inteligente em Hollywood. É o caso do thriller “A Supremacia Bourne”, que chegou às locadoras nessa semana.
A seqüência de “A Identidade Bourne” (2002) repete o mesmo guia dos filmes de espionagem, mas assim como o primeiro, “Supremacia” tem roteiro intrincado e inteligente e direção firme, nas mãos de Paul Greengrass (“Domingo Sangrento”).
No filme, Matt Damon é o ex-espião Jason Bourne, ainda sem memória e alvo de assassinos sem ter idéia do porquê. Após dois anos levando uma vida anônima, ele é descoberto e obrigado a enfrentar os antigos companheiros de trabalho, agora seus inimigos, com tudo o que aprendeu nos anos de espionagem – isso ele não esqueceu.
Damon é a chave do sucesso do filme. Ator de talento, ele dá vida a Bourne justamente por ser baixinho e com cara de marrento, como se fosse impossível esperar qualquer grande ação do rapaz. E assim como no primeiro filme, ele detona nas cenas de ação e nas lutas extremamente realistas e violentas.
Greengrass contribui muito para a história com sua direção documental. As cenas realistas e as perseguições e acidentes automobilísticos são das melhores já filmadas. O elenco é completado por Franka Potente, Brian Cox, Julia Stiles e Karl Urban. “A Supremacia Bourne” é imperdível, assim como o primeiro – e necessário para entender a trama – “A Identidade Bourne”.
Abençoado
As locadoras também receberam “Redentor”, filme que marca a estréia de Cláudio Torres (sócio da Conspiração Filmes e filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres) na direção. Na história, o jornalista Célio Rocha (Pedro Cardoso) vive o tormento de uma família arruinada pelos problemas financeiros e do pai (Torres), que pagou a vida toda por um apartamento em um condomínio na Barra da Tijuca e nunca o recebeu.
Rocha volta a ter contato com um amigo de infância (Miguel Falabella), dono da construtora do condomínio perdido, justamente quando o empresário se encontra envolvido em um escândalo imobiliário. Com uma matéria de impacto nas mãos, o jornalista recebe a missão de Deus de convencer o amigo de infância a doar sua fortuna aos pobres.
O roteiro, por vezes ilógico, ganha pontos com a fotografia marcante, o visual bem-cuidado e os efeitos especiais, e os dois atores levam o filme com destreza, acompanhados ainda de Fernanda Montenegro, Camila Pitanga e Stênio Garcia.