Representado na religiosidade afro-brasileira, entre outras coisas, como o senhor das aberturas dos caminhos, exu é muito procurado pelos favores que oferece, por isso tem sido visto em alguns momentos como uma espécie de “despachante” – acionado para fazer a ponte de comunicação entre os homens e as divindades.
A representação de exu como entidade divina chegou ao Brasil com os negros africanos, na época da escravidão. Já nesse período, o catolicismo cristão associou a figura de exu ao demônio, transfigurando seu papel tradicional.
Para as religiões africanas, a representação dessa entidade é complexa e múltipla, e não se encaixa com facilidade na moral maniqueísta da religiosidade ocidental, que divide o mundo entre o bem e o mal.
No candomblé, exu mantém muito de sua característica africana e é considerado, de forma geral, o senhor da abertura dos caminhos, que faz as coisas se moverem. É uma divindade de comunicação e intermediação entre os orixás e homens. Princípio de movimento e de transformação, exu não se ajusta aos modelos comuns de conduta. Na África, exu também era relacionado à sexualidade, a fertilidade e reprodução, sendo representado por isso por símbolos fálicos.
Já dentro da lógica umbandista, exu assume uma representação diferente daquela trazida originalmente pelos negros africanos. Morador das ruas, das encruzilhadas e outros espaços urbanos marginais, na umbanda ele é considerado um humano desencarnado, um ser espiritual em busca de evolução. Segundo o umbandista Rodrigo Queiroz, essa entidade é responsável por manter a ordem dos trabalhos, sendo representada como uma espécie de guardião.
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Poluição
O umbandista Rodrigo Queiroz afirma que existe uma preocupação ecológica entre líderes espirituais em não poluir os espaços naturais utilizados para oferendas. Ele garante que sempre orienta os praticantes da umbanda a terem consciência da necessidade de preservar o meio ambiente. Mas reconhece que nem todos adotam essa postura.
“Nós vemos com muito pesar os templos de nossas divindades sendo poluídos. Eu acho que elas não devem gostar muito disso”, destaca.
Também a mãe-de-santo Roberta Miriam Amorim reconhece que, na tentativa de manifestar sua religiosidade, há adeptos que acabam contribuindo para a degradação de alguns espaços naturais. Entretanto, afirma que essa não é a orientação dentro do candomblé – religião que tem uma profunda ligação com a natureza. “Nós aqui utilizamos folhas de bananeira para colocar a comida (em pontos naturais)”, diz ela, destacando a preocupação em não sujar o meio-ambiente.
Nos cemitérios, segundo funcionários consultados pelo JC, os despachos não são motivo de problema, especialmente quando são realizados na área do cruzeiro. “As pessoas de outras religiões também não reclamam, acho que existe um respeito”, diz o administrador do cemitério do Redentor, Celso Rubens Shermont. Regularmente, os funcionários fazem a limpeza desses espaços.
O umbandista Rodrigo Queiroz ressalta ainda que alguns rituais registrados em cemitérios não têm qualquer referência com a umbanda. “Mas por falta de conhecimento, é gerado todo um preconceito em torno dessa religião”, diz.