Domingo de sol, poucas nuvens se faziam presentes naquele fim de semana, convidativo para um passeio no campo. Almoçar no Pesqueiro Sakai foi a melhor idéia que tivemos. Além de degustar as deliciosas iguarias feitas com o capricho de quem conhece o cardápio, principalmente de peixes, também poderíamos pescá-los.
Acompanhado de meu querido neto Miguel, na qualidade de aprendiz de pescador, com apenas dois anos, e de outros familiares, já desfrutávamos da paisagem ribeirinha oferecida pelo bonito pesqueiro. O clima era de festa com muitos pescadores mostrando seus troféus. A cada instante, um pacu ou um piau eram vistos sair do lago, capturados com alegria pelos amantes da pesca esportiva.
Nossas atenções estavam voltadas, ora para o lago junto ao restaurante onde estávamos, ora para o pequeno Miguel que corria por entre as pequenas árvores feito um coelhinho, mas sem deixar cair sua inseparável “pepeta”(chupeta).
Debruçados na cerca de madeira, aproveitando a proximidade da água, ainda saboreando a sobremesa do almoço, algumas varas de bambu deixamos de espera. Era um conforto total sombra e cerveja fresca.
Fernando, meu filho, e Natália, sua namorada, cuidavam de policiar o Miguel que, irrequieto e alegre com toda aquela festa, corria o risco de ultrapassar a pequena proteção de madeira e cair na água. “Papai Hebert” e “mamãe Lu” (do Miguel) ainda saboreavam o delicioso sashimi de tilápia, enquanto que Sônia, minha companheira e Karina, minha sobrinha, comentavam sobre alguma novidade do mundo da moda (feminina, é claro). Foi quando uma das varas começou a puxar freneticamente.
Todos, respeitosamente, deixaram que o avô do “Mig” que por acaso sou eu, tirasse a próxima vítima do forno, um pacu de médio porte, briguento e pesado. Os atenciosos Lu e Hebert, pais preocupados em mostrar de perto o peixe ao Miguel, trouxeram o menino bem próximo à cerca, junto a mim. Já cansado, após alguns minutos de briga, o pacu saiu da água, preso ao anzol, inerte, conformado com seu triste destino. Estava porém, mal fisgado.
A alegria e o espanto do pequeno Miguel, fizeram com que ele, espontaneamente, gritasse em sua linguagem infantil : -“peshi”! Ao gritar, abrindo sua delicada boquinha (a do Miguel), deixou cair a chupeta na água. No mesmo instante, o peixe livrou-se do anzol e mergulhou nas águas do lago, não antes de abocanhar a chupeta que boiava feito um barquinho na superfície da água. Tudo ocorreu em poucos segundos; um acontecimento insólito, inacreditável! Perdemos o peixe e a chupeta do nosso Miguel.
Pagamos a conta do almoço e, já entrando no carro para irmos embora, ouvimos o grito de um pescador que estava no outro lado do lago: “ Vejam só pessoal, fisguei um pacu com uma chupeta na boca!!!” Não é incrível!? Todos nós concordamos; foi realmente incrível!! Sorte mesmo teve o pequeno e querido Miguel que trouxe sua chupeta de volta, porém com um gostinho de peixe! Cáca! Cáca! Credo!
Fernando Lucilha Júnior é pescador e contador de histórias