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A Terra contra-ataca


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O físico e professor emérito da Unicamp Rogério César de Cerqueira Leite escreveu um artigo na “Folha de S.Paulo”, dia 23 último, que aponta de forma preocupante nossa real situação diante deste planeta. Após ler sua vasta exposição de argumentos, tem-se mais certeza de que somos, mesmo, muito pequenos, a despeito da arrogância típica do ser humano, o grande explorador e auto proclamado “dono do mundo”. Mas não só isso: como os cupins, a raça humana é pequena, porém extremamente destruidora.

O professor conclui o artigo sugerindo que voltemos a utilizar o fogão a lenha, as carroças, a caravela, assim como a bicicleta e o turismo pedestre. O motivo: não haverá energia para alavancar a atividade humana num futuro muito próximo. Hidrocarbonetos como o petróleo, por exemplo, serão suficientes para 25% da demanda, em 2050, diz o físico. Imagine-se só 25% de tudo o que se move hoje a petróleo (e é muita coisa) poder funcionar daqui a apenas 45 anos. Seriam 75% de carros, caminhões, navios, aviões, tudo parado.

Mas o problema não pára por aí, alerta Cerqueira Leite. Mesmo que se descubra uma alternativa, e até há o carvão, o xisto e o betume, que poderão se transformar em combustíveis com modernas tecnologias, há um efeito nefasto para breve: os poluentes. Alerta o professor que, se até 2050 não for reduzida pela metade a emissão atual de gases, algumas catástrofes vão ocorrer. A saber, flutuações de temperatura que varreriam a produção agrícola, fusão de calotas polares que aumentaria em cinco metros o nível do mar, inundação das cidades litorâneas por todo o mundo, onde mora um terço da humanidade. E os indícios estão aí, diz o artigo: “As recentes perturbações climáticas, que resultaram em temperaturas insuportáveis, são brandos prenúncios do que virá”.

As palavras de Rogério Cesar de Cerqueira Leite completam uma notícia recentemente divulgada pelo site “UOL” alertando que, caso todo o mundo tivesse o padrão de consumo dos Estados Unidos, precisaríamos de dois planetas Terra. Isso porque não haveria recursos naturais disponíveis para a democratização da vida “moderna” e para o tamanho lixo que tudo isso geraria. Ou seja, os famintos acabam compensando o que os americanos esbanjam com a transformação da natureza em riqueza e entulho.

Chegou, porém, a encruzilhada: ou se diminui a ambição dos homens da porção “moderna” do planeta em esgotar os recursos disponíveis ou o mundo não será suficiente e dará um trágico e sonoro “basta”. É um contra-ataque natural a inúmeros tipos de agressão que a atividade humana exerce contra o ecossistema, muitos dos quais feitos em nome do luxo individualista.

Sem privilegiar nenhuma de suas vidas, a natureza mostra que, na falência de todos os botõezinhos que a tecnologia humana criou para facilitar o poder, talvez se tenha, enfim, o reconhecimento do que somos, de fato: frágeis e limitados tripulantes de uma nave da qual não deveríamos ocupar a cabine de comando, por notória incompetência.

O autor, Marcos Brogna, é jornalista - marcosbrogna@oliberalnet.com.br

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