Tribuna do Leitor

Memórias de Piratininga


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O povoado de Santa Cruz dos Inocentes que, com a chegada da ferrovia Paulista, em 1905, poderia receber a denominação de “Antonio Prado”, firmou-se como Piratininga, porque o conselheiro Antonio Prado não concordou na perpetuação de seu nome na localidade, sugerindo Piratininga.

No ano de 1933, mais precisamente no dia 22 de janeiro, a população assistiu com grande pesar a perpetração de um bárbaro e covarde assassinato, do qual foi vítima o dr. Mario Ribeiro da Silva, nome esse perpetuado na principal praça da cidade.

Eram aproximadamente uma e quarenta hora da manhã daquele 22 de janeiro, quando a vítima, em companhia de dois amigos, os drs. Vasconcelos Galvão e Pedro Gomes, passavam em frente à confeitaria Poli. Se olhassem bem, teriam visto um homem encostado à parede, junto a uma das portas. Tão logo os três passaram pelo desconhecido, um revólver foi totalmente descarregado e quatro balas ou projéteis atingiram mortalmente as costas do dr. Mario.

Enquanto seus amigos o socorriam, o assassino, conhecido por Zé Batalha, deixou o local, desaparecendo.

Diante do quadro gravíssimo, o dr. Lisboa Júnior, médico da Santa Casa de Misericórdia local, solicitou os préstimos de seu colega, o médico Silvio Miraglia e juntos tentaram, através de rápida cirurgia, salvar a vida do dr. Mario que, infelizmente, veio falecer ao meio dia.

À noite o seu corpo foi embarcado em um carro especial da ferrovia Paulista e seguiu para São Paulo, onde veio a ser sepultado.

A população, acreditando tratar-se de crime político, invadiu a residência do prefeito, que não se encontrava na cidade, quebrando tudo que viu pela frente.

Dr. Mario Ribeiro da Silva, após a revolução de 1930 chegou a Piratininga, assumindo o cargo de delegado de polícia e que renunciou em menos de seis meses, para se estabelecer como advogado, tendo esposa e um filho menor.

Em 1932 alistou-se como voluntário e partiu para frente de batalha para defender as causas paulistas. No final desse mesmo passou a figurar como diretor do jornal “O Piratininga” e a fazer pesadas críticas às autoridades, contra excessos que estariam cometendo, vindo a ser silenciado de forma covarde por Zé Batalha.

Vivaldo Pitta - Diretor do Museu de Avaí - RG 6.028.556

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