Para boa parte dos brasileiros, verão é sinônimo de praia, piscina e pele bronzeada. Mas o Instituto Nacional do Câncer (Inca) alerta que a exposição ao sol precisa ser moderada e protegida. O câncer de pele tem sido o mais freqüente na população brasileira nos últimos anos. Estima-se o diagnóstico de aproximadamente 120 mil casos novos da doença em 2005. E os raios ultravioleta são o principal vilão desse tipo de tumor.
Levantamento realizado pelo Inca mostra que a incidência do câncer de pele chega 87 casos para cada 100 mil habitantes em alguns Estados do Brasil. Embora seja de baixa letalidade (a maioria desses tumores não mata), o câncer de pele pode levar a deformidades físicas e ulcerações graves, que prejudicam o convívio social do paciente.
De acordo com o chefe do serviço de dermatologia do Inca, Carlos Eduardo dos Santos, a melhor forma de proteção contra o câncer de pele é a própria roupa, usada como barreira para os raios ultravioleta. Bonés, chapéus, blusas de manga em tecidos leves são uma boa pedida para quem passa muito tempo sob os raios do sol.
Óculos de sol também são importantes, pois os olhos podem ser danificados pelos raios solares. Mas é essencial que suas lentes tenham proteção ultravioleta, o que pode ser facilmente avaliado nos consultórios oftalmológicos.
“Para profissionais expostos diariamente ao sol, como os marinheiros e os vendedores ambulantes das praias, é essencial a utilização de roupas leves para cobrir o corpo”, ressalta Santos.
A energia solar é composta, principalmente, por três tipos de raios: ultravioleta A (UVA), ultravioleta B (UVB) e os infravermelhos. A radiação ultravioleta é a principal responsável pelo desenvolvimento dos tumores e sua incidência na Terra é maior entre 10h e 16h. É por isso que os médicos recomendam que se evite tomar sol nesse período.
Prevenção
O problema é que mesmo com tantas recomendações e campanhas, muita gente se arrisca sob o sol nesse intervalo. Então, para minimizar os efeitos nocivos do sol, os especialistas indicam o uso de filtros solares potentes. Quanto maior o Fator de Proteção Solar (FPS), maior a segurança.
As crianças são as que mais necessitam do filtro solar, segundo o Ministério da Saúde. E aquelas que ainda não aprenderam a andar não devem nem mesmo ser levadas à praia ou piscina, pois não têm como se defender sozinhas e fugir do sol.
Para os dermatologistas, o filtro solar deveria ser usado por todas as pessoas diariamente, mesmo aquelas que não se expõem diretamente ao sol e nos dias nublados. Computadores e lâmpadas fluorescentes também emitem radiação.
Outra observação importante: o creme deve ser aplicado no corpo todo, dos pés à cabeça. “É preciso lembrar que o protetor solar dura apenas duas horas na pele”, frisa Santos. Por isso, o produto precisa ser reaplicado pelo menos três vezes ao dia em dias comuns. Sob o sol direto, ele precisa ser reaplicado após cada mergulho ou a cada duas horas quando se transpira muito.
Santos adverte que o efeito da radiação solar sobre a pele é cumulativo, ou seja, os danos causados à pele somam-se a cada nova exposição solar. Por isso, a doença, na maioria das vezes, só aparece após os 40 anos de idade.
“Não existe bronzeamento saudável. O bronzeado é apenas uma demonstração de que o organismo está tentando se defender contra a agressão do sol”, alerta Santos.