Regional

Calçadistas precisam de normas

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Bocaina – Os representantes do setor couro-calçadista e autoridades definiram ontem em Bocaina (69 quilômetros a nordeste de Bauru) que vão fazer ingerências urgentes para a criação de uma norma técnica, que legalize o uso dos resíduos sólidos reciclados na confecção de novos produtos. Hoje, já existem iniciativas de reaproveitamento das sobras na fabricação de telhas de amianto, tijolos, papelão e outros produtos.

O encontro definiu que as empresas têm que reaproveitar ao máximo os resíduos. Com a norma da Associação Brasileira de Técnicas, Normas (ABTN) será possível transferir os restos como matéria-prima para o setor da construção civil.

Outra medida que será colocada em prática pelo segmento é um inventário que revele com precisão a quantidade de resíduos sólidos produzidos e o tipo que cada indústria descarta. Apesar da quantidade não ser conhecida, os números são expressivos. O presidente da Associação das Indústrias de Couro e Afins de Bocaina (Associcouros), Fauzer Saffi, disse que, em 2003, a cidade encaminhou 9.434 toneladas de resíduos de couro para o aterro de Paulínia. Este volume se acumulou sem uma destinação até 2002, pois Bocaina produz luvas e aventais (equipamentos de segurança), feitos com a parte do couro que a indústria calçadista não utiliza.

No ano passado, o município descartou no aterro 3.273 toneladas. Apenas com o custo de transporte dos restos em 2003 foram gastos R$ 905.856,00 e em 2004 mais R$ 314.208,00. Somas consideradas expressivas pelos 40 representantes das indústrias, prefeituras, Sebrae, Senai e Cetesb, reunidos, ontem, em um encontro da Câmara Câmara Técnica Ambiental do Setor Coureiro-Calçadista. Na abertura do evento, foi consenso a necessidade de investimentos em pesquisa através de convênios com as universidades. O prefeito de Bocaina, João Francisco Bertoncello Danieletto (PV), defende parcerias com os governos estadual e federal e instituições de pesquisa para apresentar caminhos para a destinação dos resíduos.

Há uma dificuldade de saber qual a exata quantia e as condições de restos de couro gerados por Franca, Birigüi, Bocaina, Santa Cruz do Rio Pardo e Jaú. Estes municípios são centros manufatureiros de calçados e equipamentos de segurança (EPI) que, a cada ano, ampliam sua produção para o mercado interno e para exportação. Danieletto entende que é importante os setor couro-calçadista reciclar seus resíduos inclusive para obtenção de certificação de qualidade. Ele explica que os produtos certificados aumentam suas condições de competitividade no mercado externo.

A reunião definiu que será feito um levantamento preciso da quantidade de resíduos que o setor produz. Uma pesquisa junto às indústrias irá apontar a quantidade e o tipo de resíduo que cada produtor descarta. Esta medida já está prevista na resolução 313/02, do Conselho Nacional de Meio Ambiente. Caberá à Câmara instrumentalizar as equipes que vão aplicar o questionário (inventário) da produção.

O gerente regional da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb - Ribeirão Preto), Marco Antônio Artuzo, disse que o órgão mantém a postura fiscalizadora (aplicação de multa) e de concessão de licenças ambientais de funcionamento. Porém deseja implementar parcerias com o setor produtivo e prefeituras para orientação do segmento couro-calçadista. “O setor deve se readequar às normas ambientais e uniformizar a produção e troca de informações.”

O encontro em Bocaina contou com a participação de importantes representações do setor privado e público para definir políticas. Entre os presentes esteve César Figueiredo de Barros, presidente da Câmara Ambiental e diretor do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil, com sede em Brasília. Ele também é diretor da Associação dos Manufaturados de Couro e Afins de Franca.

Foi definido também a crianção de três grupos de trabalho que já começam a trabalhar. São eles: de gestão ambiental, de diretriz de gerenciamento dos resíduos sólidos e de tratamento de normatização da legislação ambiental. A próxima reunião plenária da Câmara acontece em junho, no município de Birigüi.

Comentários

Comentários