O típico vaivém observado nos estabelecimentos comerciais situados na área central de Bauru favorece as ocorrências de furto. A afirmação é respaldada por dados estatísticos. Entre 2003 e 2004 aumentou em 10% a incidência do delito e em 22% o total de veículos furtados na região.
“Temos furto no interior das lojas do Calçadão. Mesmo que seja o furto de um maço de cigarro ou de uma peça de roupa, registramos. No final do ano passado, uma quadrilha levou dez motos só num mês. Ela passou a ser investigada e já houve queda no número de casosâ€, informa o comandante da Base Comunitária de Segurança Centro, Jorge Luís Dias.
De acordo com ele, em média, dois veículos são furtados por semana no Centro da cidade. Normalmente, estão estacionados nas ruas transversais acima da avenida Rodrigues Alves ou abaixo da rua 1.º de Agosto. “As imediações da Igreja Santa Terezinha e de uma academia são outros locais visados. Acontece mais à noite, mas temos casos à luz do diaâ€, informa Dias.
Normalmente, esses veículos são localizados posteriormente em locais distantes e ermos, desprovidos do toca-fitas, equipamentos de som e estepe, acrescenta o titular do 3.º Distrito Policial, Marcelo Haddad. “Eles levam o equipamento de dentro (do carro) para trocar por droga ou para comercializar no mercado paraleloâ€, acrescenta.
Por essa razão, o segmento é vistoriado pela polícia, que também procura inibir a incidência de desmanches e o volume de veículos dublês. “A população pode colaborar com a redução dos índices tomando alguns cuidados, como, por exemplo, não estacionar em local escuro, ermo e instalando alarmeâ€, orienta o comandante da Base Comunitária de Segurança Sudeste, tenente João da Costa Duarte.
Também às voltas com o problema na área onde atua, ele orienta os motoristas para não deixarem objetos aparentes dentro do carro e para observarem eventuais suspeitos rondando o local onde o veículo está parado. Os cuidados poderiam ter evitado que um engenheiro civil ouvido pelo JC fosse tantas vezes vítimas de furto no interior de veículos. No total, foram registradas seis ocorrências.
“Desisti de ter toca-fitas no carro. Uma vez, levaram uma bolsa também. Depois a encontramos, mas o prejuízo foi de R$ 700,00â€, conta. Como circula diariamente pela região Centro e Sul do município, ele pediu para ter o nome preservado por questão de segurança.
Bolsas, carteiras e relógios
O rapaz tem 16 anos, mora com a mãe e o padrasto na periferia, onde cursa o ensino médio. Nos finais de semana à noite, passeia com os amigos pelas regiões Centro e sul da cidade. Quando encontra situação oportuna, pratica furtos e roubos. “A gente pega as coisas porque não dá para ter. Se levo carteira, relógio ou tênis, no dia seguinte o filhinho de papai ganha outro. Eu não. Se der mole, eu levoâ€, admite.
Como “a ocasião faz o ladrãoâ€, a prevenção é fundamental, alerta o comandante da Base Comunitária de Segurança Centro, Jorge Luís Dias. De acordo com ele, até o modo como carregar uma bolsa ao circular pela região central deve ser cercado de atenção.
“A bolsa tem de estar próximo ao corpo ou embaixo do braço. As colocadas nas costas chamam atenção (de quem comete delitos). As de mão são fáceis de serem levadas (por quem passa correndo pela rua). A melhor é a tiracolo. A pessoa também deve evitar transitar com objetos de valor como correntes, anéis, pulseiras e relógiosâ€, afirma Dias.
Na opinião dele, os pais ainda devem evitar as compras acompanhados por crianças, que roubam a atenção dispensada à segurança. “Tem gente que vai experimentar sapato ou roupa e deixa a bolsa na gôndola ou na cadeira. Por causa da falta de vigilância, a bolsa some. As pessoas também não devem acreditar em recompensas fáciesâ€, alerta o comandante. A recomendação vem à reboque dos casos de golpes registrados mensalmente na região central.
“Já os motociclistas devem fazer o travamento do guidão da moto. O ideal é colocar uma outra trava mecânica ou corrente. Também devem estacionar em locais de grande fluxo de pessoas e, de preferência, colocar alarme ou instalar o mecanismo que corta a ignição em caso de furto. Se puder, é bom parar em estacionamento. O custo-benefício vale a penaâ€, conclui.