Saúde

Cuidados valem para a vida toda

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

De acordo com o podólogo Sergio Bittencourt, a saúde dos pés engloba uma infinidade de condições. Por isso, o cuidado com eles precisa começar bem cedo.

“Uma coisa simples e que as mães desconhecem, por exemplo: aquele macacão para bebês que tem os pés fechados precisa ser folgadinho. Se a criança crescer ou se ficar muito tempo no colo e o tecido ficar apertado, pressionando os pezinhos, a unha dele pode encravar”, alerta.

Durante toda a fase de crescimento das crianças, os pais devem estar atentos à adequação da numeração dos sapatos. Os pés não devem ficar apertados. E isso vale por toda a vida. Sapatos apertados são a principal causa de calos, além de favorecer outros tipos de alteração.

“A regra geral é simples: o sapato deve ter a forma adequada

à largura dos pés de cada pessoa. Infelizmente, no Brasil, as fábricas não fazem o número do meio. Se o 38 fica justo e o 39 fica folgado demais, a tendência da pessoa é optar pelo menor para não ficar com o pé muito grande, aí, o pé fica apertado”, lamenta. Para prevenir o mau cheiro e a contaminação por germes, Bittencourt orienta uma boa higienização: os pés devem ser lavados cuidadosamente com sabonetes, enxaguados e secos, especialmente entre os dedos.

Outra dica é usar meias de algodão, que absorvem melhor o suor. É importante trocá-las diariamente. “O ideal mesmo seria termos sete pares de sapato - um para cada dia da semana. Isso daria tempo para que os sapatos também secassem completamente. A umidade gera o ambiente ideal para a proliferação de fungos e outros germes”, ressalta.

Para quem não pode dar um intervalo tão grande, uma boa opção são os talcos e aerosóis para pés. Com ação bactericida, eles reduzem o risco de contaminação, além de prevenir o mau cheiro. O corte das unhas é outro item importante, segundo o podólogo. Ele explica que as unhas devem ser aparadas regularmente, mas não muito rente à pele.

“O corte reto é o mais adequado, mas isso não significa deixar a unha quadrada. Cortar reto é cortar seguindo a linha natural da unha. Os cantos não devem ser cortados

(invadindo a região onde a unha está ‘colada’

à pele), mas é importante arredondá- los para que a ponta das unhas não finque na pele. Isso causa dor e facilita o encravamento”, adverte.

Um bom teste para verificar se o corte está bom é pressionar suavemente as laterais dos dedos. Se houver dor, é porque a ponta está fincando na pele e precisa ser lixada ou cortada em formato arredondado.

“Muito importante ainda: a cutícula é uma proteção das unhas e não deve ser removida. O que fazemos é remover o excesso de pele que fica nessa região, mas sem aprofundar o corte”, destaca. Particularidades

A fisioterapeuta Juliana Ribeiro Freire comenta que as mulheres têm alterações muito particulares nos pés. “Elas abusam dos saltos. Isso altera a anatomia e os pontos de pressão dos pés. Pode haver desabamento do arco (curvatura natural dos pés), o que pode causar calosidades na região plantar e dores”, diz. Outra situação particular é a dos diabéticos, segundo os especialistas. A doença reduz a circulação sangüínea nas extremidades do corpo humano e isso vai diminuindo progressivamente a sensibilidade do indivíduo. Um calo causado por sapato apertado ou um ferimento causado por um prego no sapato podem passar despercebidos, transformando- se em lesões mais graves. Há muitos casos em que, por perda da sensibilidade, a lesão evolui para gangrena e exige amputação.

“Diabéticos precisam triplicar os cuidados com os pés. Para eles, o acompanhamento com um podólogo pode ajudar muito”, reforça Bittencourt. Ele acrescenta que algumas pessoas têm dificuldades para enxergar os próprios pés, seja por déficit de flexibilidade, por obesidade ou mesmo por alterações visuais.

“Em alguns casos, um espelho pode ajudar. Mas se não ajudar, essas pessoas precisam pedir que alguém olhe seus pés regularmente, de preferência todos os dias. Porque

é comum ocorrer uma contaminação ou uma lesão e isso passar despercebido porque a pessoa não consegue ver”, conclui o podólogo.

Curso e atendimento

podologia O Serviço Nacional do Comércio (Senac) de Bauru não só ministra o curso técnico em podologia, como também oferece tratamento com podólogos a baixo custo para a população. Trazido há cinco anos para Bauru, o curso tem duração de um ano e meio. De acordo com a enfermeira Maria Helena Lemos Pires, coordenadora da área de saúde do Senac em Bauru, a primeira parte é destinada

à teoria, quando o aluno estuda anatomia, fisiologia, mecânica dos pés, entre outras disciplinas.

“Depois, eles começam as aulas práticas tratando os pés uns dos outros. Só quando estão adiantados é que eles começam a fazer o atendimento ao público. A maior parte dos pacientes é atendida na clínica de podologia da própria escola, usando material fornecido pela escola. Mas também levamos o atendimento aos internos da Sociedade Beneficente Cristã”, conta. A próxima turma do curso de podologia tem início previsto para o mês de abril deste ano. E as inscrições para consulta e tratamento podem ser feitas a partir da segunda quinzena do mês de março. “O atendimento

é realizado continuamente, de março a dezembro, somente no período noturno. Cada consulta custa R$ 10,00”, informa.

Serviço

O Senac fica na avenida Nações Unidas, 10-22. O telefone para mais informações

é (14) 3227-0702.

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