Saúde

CPA comemora 15 anos em março

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O Centro de Pesquisas Audiológicas

(CPA) do Hospital de Anomalias Craniofaciais

(Centrinho) comemora em março 15 anos de atividades em Bauru. Criado em 1990 por um pequeno grupo de estudiosos, o CPA é hoje um dos quatro principais centros de pesquisa em audiologia do Brasil.

Um dos destaques de seu currículo é ter sido pioneiro na América Latina na realização do implante coclear para tratamento da surdez.

A fonoaudióloga Maria Cecília Bevilacqua, coordenadora do CPA, conta que o centro foi criado por profissionais do Centrinho e professores do curso de fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), que acabava de ser criado. Seu objetivo era dar suporte às pesquisas científicas sobre problemas de audição e seus tratamentos.

Dois anos mais tarde, o CPA seria credenciado pelo Conselho Nacional de Pesquisa e Tecnologia (CNPq), tornando- se referência nacional.

“Nossos maiores objetivos são o ensino e a pesquisa, mas também mantemos um atendimento ambulatorial que oferece avaliação e tratamento dos problemas auditivos”, informa Bevilacqua. Por mês, a unidade é procurada por quase 600 pessoas, segundo assessoria de imprensa.

A mais conhecida atuação do CPA é o implante coclear, chamado de ouvido biônico. Trata-se de uma técnica em que um dispositivo computadorizado

é inserido cirurgicamente no ouvido interno do paciente cuja surdez é causada por problemas com a cóclea

(um dos componentes do ouvido).

O dispositivo capta as vibrações sonoras do ambiente e as transforma em sinais elétricos, que são codificados por um programa de computador e enviados ao córtex cerebral.

“O Centrinho já realizou 400 implantes e o diferencial do CPA é que todos eles são acompanhados por nossos profissionais”, destaca a fonoaudióloga.

Outro trabalho de destaque realizado pelo CPA é a triagem auditiva neonatal, realizada junto à Maternidade Santa Isabel de Bauru. Todos os bebês nascidos na instituição passam por um exame capaz de identificar possíveis alterações auditivas. Estudos comprovam que o tratamento precoce facilita a adaptação da criança aos aparelhos, sem que haja qualquer prejuízo em sua comunicação.

“Também fazemos a verificação dos dispositivos de deficiência auditiva. Analisamos as características eletroacústicas dos aparelhos para ver quais têm melhor resultado para nossa população. O intuito disso é melhorar o custo x benefício, uma vez que é o Sistema Único de Saúde (SUS) quem custeia esses dispositivos. Nós buscamos o melhor aproveitamento dessa verba, que é pública”, ressalta.

Dessa forma, o CPA beneficia toda a comunidade, pois em instituições particulares, um único implante coclear custa mais de R$ 50 mil. “E aqui o SUS custeia não só a cirurgia, mas também os aparelhos e os retornos do paciente para reabilitação”, acrescenta. Por meio da assessoria de imprensa, o superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas - o Tio Gastão - salienta que o CPA é um centro de pesquisas avançadas especialmente na surdez infantil.

“Por isso, apesar da idade de debutante, esta unidade é cientificamente madura. Tanto que não poderíamos comemorar seus 15 anos de outra forma, senão com a própria comunidade científica”, alega.

O aniversário será festejado com um seminário e uma reunião de reabilitadores que trará a Bauru especialistas de vários lugares do Brasil e do Exterior. “Nossa missão é disseminar o que pesquisamos, por isso estamos sempre investindo na transferência de conhecimentos para outros centros e populações”, completa Bevilacqua.

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