No que diz respeito à estrutura para atividades física nas escolas, Bauru está na contramão da realidade nacional. Enquanto o ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, estima que metade das 180 mil escolas públicas brasileiras não tem quadra poliesportiva, em Bauru, 90% das escolas estaduais têm o espaço. Os dados são da Diretoria Regional de Ensino (DRE), que apontam que das 51 escolas estaduais, 46 têm quadras, 23 delas cobertas. Na rede municipal, as 14 escolas têm o espaço.
A estimativa do ministro, veiculada pelo JC no mês passado, foi usada como justificativa à pesquisa da Unesco (agência da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) que afirma que mais da metade dos jovens brasileiros não pratica atividade física por falta de interesse.
Em Bauru, conforme alguns diretores ouvidos pela reportagem, a situação é diferente. Além do número de quadras ser maior, a participação dos estudantes nas aulas de educação física é grande.
“Oferecemos jogos como basquete, vôlei, futebol. Eles (alunos) adoram. Se deixássemos, só fariam educação física. E agora a freqüência é maior por causa do horárioâ€, diz a coordenadora pedagógica da escola João Maringoni, Zilda Mogami.
Adesão que ganhou força este ano, quando a disciplina foi integrada ao horário das demais, seguindo resolução da Secretaria de Estado da Educação. Com isso, o aluno não precisa ir à escola em diferentes horários, o que, antes, dificultaria a presença do estudante na aula.
Para a diretora da escola Ayrton Bush, Dilma Santana Damante, não apenas os 1.500 alunos da escola ganham com a quadra e com a nova resolução. â€œÉ uma forma do aluno descarregar energia. Quando retornam para a sala, estão tranqüilos e trabalham melhor. Os professores gostamâ€, lembra.
Mesmo em condições ruins, a quadra da escola Professor Eduardo Velho Filho é ponto importante para os 900 alunos. “Ela está sem cobertura e o chão não está bom. Mas as crianças adoram, jogam futebol, basquete, enfim, têm noções básicas de todos os esportesâ€, afirma a diretora Nirde Rosalin Barbieri.
Atualmente, a Diretoria de Ensino afirma que a disciplina de educação física é ministrada duas vezes por semana, com aulas de 50 minutos cada uma. “O ideal seria todo dia, mas não tem como atender toda a população de uma escola. Na atual circunstância é o suficiente. Além disso, a disciplina tem como enfoque a educação, não dar condicionamento físico ao alunoâ€, diz o professor de educação física, Samir Milhem Farht.
As que não tem
Segundo o levantamento da Diretoria de Ensino, cinco escolas estaduais não têm quadra poliesportiva: Cesub, Cefam, Padre Antonio Jorge Lima, João Simões Neto e Parque Jaraguá. “(Os dois primeiros) não têm tanta necessidade porque atendem um público diferente, adulto. No momento, a prioridade é a escola Padre Antonio, as demais está complicado. Fizemos pedidos para a Secretaria (da Educação), mas não temos previsão aindaâ€, explica o assistente técnico de planejamento da DER, Paulo Maximino.
De acordo com o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), a intenção é de que até o final do ano essas escolas estejam adequadas.
Quanto às 23 escolas ainda com quadras descobertas, Maximino espera diminuir o número este ano. “Ano passado conseguimos cobrir três. Para este ano, não é possível dizer; estamos aguardando liberação de verbas.â€
Enquanto isso, o jeito é improvisar. Na escola Padre Antonio Jorge Lima, dois pátios cimentados sem cobertura servem de quadra para os cerca de mil alunos. Sem gols, tabelas de basquete ou rede de vôlei, a direção e os estudantes usam a imaginação.
“Só da para jogar bola, basquete, não. Colocamos umas traves de ferro e daí dá para jogar mais ou menosâ€, conta Eltom Jones Leite Cardoso, aluno da 6ª série da escola.
Já na escola João Simões Neto, com 130 alunos, a escola usa um espaço comunitária ao lado da escola. “Fazemos as traves com dois tijolos e daí dá para jogar um futebolzinho. Temos material esportivo, mas nem tudo dá para usarâ€, afirma o diretor Manuel Arlindo de Ornelas.
Nos fins de semana
Os diretores e coordenadores de escola ouvidos pela reportagem lembram que os estudantes têm outra opção para fazer atividades físicas além do horário de aula. O projeto Escola da Família, que abre as escolas estaduais nos fins-de-semana, da oportunidade de lazer para alunos e para comunidade próxima. Apesar de oferecer atividades culturais, a quadra é o espaço mais concorrido.
“Todos gostam. A escola é o principal ponto de lazer para muitas pessoasâ€, acrescenta a diretora da escola Ayrton Bush, Dilma Damante.