Tribuna do Leitor

Sobrecarregados


| Tempo de leitura: 3 min

Corretíssimo tudo o que escreveu Adilson Luiz Gonçalves, no Jornal da Cidade do dia 15/2/05, na página 2. Vamos aproveitar a matéria para tecer alguns comentários e, quem sabe, sensibilizar os nosso governantes e legisladores: “A saga dos representantes comerciais brasileiros lembra da mesma forma a de Hércules, que cada vez que cumpria um dos trabalhos que Euristeus ordenava, recebia deste, um novo, ainda mais difícil...”

Os representantes comerciais chegam a ser comparados e classificados como profissionais liberais ou até mesmo aos comerciantes sem que o sejam na realidade.

Muitos representantes, por não agüentarem mais as despesas e os impostos, cansados de colocarem “azeitonas nas empadas dos outros”, mudaram de ramo ou pediram prematuramente suas aposentadorias.

As exigências para se exercer a profissão são tantas (despesas e impostos) que atualmente não compensa mais abraçar essa nobre profissão por causa dos riscos diários para aqueles que precisam viajar por estradas tortuosas (mal conservadas e sem um mínimo de segurança) para poderem chegar até seus prováveis clientes.

Realmente, quando as coisas pareciam voltar a uma satisfatória realidade (até meados dos anos 80) apesar de todos os riscos, perdas e do sacrifício (ausência do lar e do convívio com seus familiares) por exigência das empresas representadas (por força legal) foram os representantes comerciais obrigados a constituir empresas (dessa forma as empresas não teriam mais os encargos trabalhistas para pagar) ficando o RC, com a totalidade dos encargos e despesas para o exercício da profissão (locomoção, alimentação, estadias e os pedágios), tudo isso correndo por conta e risco do profissional de vendas e devemos ainda levar em conta que o RC não tem carteira assinada, não tem FGTS, não tem férias com gratificações, não tem seguro saúde a não ser que pague o seu e da sua família e nem vale transporte ou vale refeições, tiradas todas essas despesas, o lucro (lucro é aquilo que sobra no final do mês depois de deduzidas todas as despesas) que já não era lá grande coisa foi diminuindo e hoje está praticamente extinto, muitos profissionais, praticamente pagam para poder trabalhar.

Por força legal, o RC não pode ser equiparado a microempresa, não pode fazer parte do regime tributário simples, sendo dessa forma tributado como se fosse um comerciante estabelecido arcando com todos os impostos e taxas sejam elas federais, estaduais e municipais.

É o representante comercial quem efetivamente distribui pelos quatro cantos do país as riquezas produzidas por nossas indústrias e, dessa forma, é ele o verdadeiro gerador de empregos existentes nos dois pólos da questão: a indústria e o comércio.

Incentivos e vantagens (por exemplo: poderem adquirir o veículo - ferramenta do trabalho) com incentivos ou isenções parcial de impostos, como os taxistas, nada disso é proporcionado aos representantes comerciais.

Esta profissão (em fase de extinção) existe desde o início do mundo, antigamente, nos primórdios da civilização, eram chamados mercadores, depois mascates, posteriormente caixeiros-viajantes e atualmente com toda a pompa que o nome oferece: representantes comerciais. A nomenclatura mudou com o passar dos anos mas a MISSÃO é e sempre será a mesma: distribuir as riquezas produzidas e gerar empregos na indústria e no comércio... (José Ramos - RG 166.443)

Comentários

Comentários