Pela primeira vez desde que “Titanic” fez as filas dos cinemas dobrarem o quarteirão, em 1997 e 1998, neste ano não há produções indicadas ao Oscar de melhor filme que foram abraçadas com sucesso pelo público mundial. Até a semana passada, os indicados haviam faturado 50% a menos nas bilheterias do que nos cinco anos anteriores. A 77.ª Cerimônia do Oscar ocorre amanhã, a partir das 22h (horário de Brasília) no Kodak Theater em Los Angeles.
Até a semana passada, os cinco concorrentes a melhor filme no Oscar - “O Aviador”, “Menina de Ouro”, “Em Busca da Terra do Nunca”, “Ray” e “Sideways - Entre Umas e Outras” - haviam vendido 50,6 milhões de ingressos em todo o mundo. Na época da premiação de 2004, os indicados já haviam vendido 115,3 milhões de ingressos. Em 2003 e 2002, os números foram de 101,8 milhões e 100,6 milhões, respectivamente.
Mesmo em 1999, ano de menores bilheterias, com “Shakespeare Apaixonado”, “A Vida É Bela” e “O Resgate do Soldado Ryan” entre os concorrentes, os cinemas venderam 79,5 milhões de ingressos. Nenhum ano supera o Oscar de 1998, que somou 173,8 milhões de ingressos vendidos nas bilheterias, especialmente pelo sucesso de “Titanic”.
Outro dado que indica a 77.ª Cerimônia como a menos comercial dos últimos anos é o faturamento dos filmes. Nenhum dos cinco indicados a melhor filme ultrapassou a marca de U$ 100 milhões em arrecadação. Entre todos os indicados ao Oscar deste ano, apenas produções que não concorrem nas maiores categorias ultrapassaram U$ 100 milhões nas bilheterias, como “Colateral”, “A Paixão de Cristo”, “Tróia”, “Homem-Aranha 2” e as animações “Os Incríveis”, “O Espanta-Tubarões” e “Shrek 2”.
Apostas
Em um ano de biografias cinematográficas, a história do milionário Howard Hughes conta com certa vantagem em relação aos outros concorrentes a melhor filme. “O Aviador”, único indicado em cartaz nos cinemas de Bauru, já venceu como melhor drama no Globo de Ouro e deve levar a estatueta, especialmente por tratar dos grandes feitos de Hughes nas décadas de 1930 e 1940, quando ele produziu o mais caro filme da época (“Anjos do Inferno”), namorou as mais lindas atrizes de Hollywood e construiu os mais velozes aviões.
No entanto, se Martin Scorsese recheou o filme com referências ao mundo do cinema e conseguiu de Leonardo DiCaprio uma atuação grandiosa, ele tem um adversário de peso no ringue de melhor diretor: Clint Eastwood. Se o primeiro já foi indicado quatro vezes e sempre saiu de mãos abanando, o segundo não levou o Oscar no ano passado, por “Sobre Meninos e Lobos”, e ainda concorre por seu filme mais emocionante - e um dos melhores da carreira -, “Menina de Ouro”. Premiando qualquer um, a Academia será injusta, já que o outro ficará sem o prêmio.
Se há uma categoria em que o discurso do vencedor já está escrito é na de melhor ator. Há muitos anos não havia um indicado com tamanho favoritismo como Jamie Foxx por sua “incorporação” em “Ray”, biografia de Ray Charles. Já na categoria feminina, será uma surpresa se a Academia premiar Hilary Swank, de “Menina de Ouro”, após a consagração em 1999 com “Meninos Não Choram”. As apostas caem mais para o lado de Annete Bening, por “Being Julia”, e Kate Winslet, por “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”.
Serviço
A 77ª Cerimônia do Oscar será transmitida pela Rede Globo amanhã, a partir das 22h30, com apresentação de Renato Machado e Cristina Serra, e também pelo canal por assinatura TNT, que terá comentários de Rubens Ewald Filho, a partir das 22h.