Dona Lindaura Carrascoso Rodrigues tem 60 anos, é viúva e mora com filhos e netos num barraco da favela Baiano Bomba, no Distrito de Potunduva (32 quilômetros a leste de Bauru), região de Jaú. O sonho dela é ter um quarto com uma janela para ventilar. No cômodo que ela ocupa atualmente não há nenhuma ventilação e, com o calor, a situação fica insuportável. Ela faz parte da lista dos cadastrados para o mutirão e não vê a hora das obras começarem.
“No calor, sofro demais, porque além da temperatura alta, os pernilongos e mosquitos me obrigam a usar o mosquiteiro. No frio, as frestas da madeira dão passagem para o ar gelado que se incumbe de proporcionar uma sensação desagradável.â€
Mas é na temporada de chuvas que a família sofre mais. “Quando começa a chover, todos ficam alerta. Se for de madrugada todo mundo acorda e começa a correria para tirar as coisas do chão. Aqui entra água. Todos ficam em pânico. Durante a última chuva, a casa ficou lotada de lama.â€
O barraco da dona Lindaura tem “esgoto†para a água do tanque e da pia. “Nós fizemos um encanamento que leva essa água direto para o córrego. Desta maneira, evitamos a água empossada e o mau cheiro.â€
“Mansãoâ€
O barraco da família Rodrigues é uma dos maiores da favela. Tem três quartos, cozinha e banheiro que abrigam oito pessoas das quais três são crianças. “Foi meu filho que entrou no programa do CDHU e quando começar as obras eles vão trabalhar.â€
A viúva lembra que há cinco anos mora na favela. “Aqui não tem bandidagem, a maioria é trabalhador rural, mas os barracos são pequenos e viram um ‘forninho’ no calor. O teto é baixo e feito de telhas de amianto.â€
Para dona Lindaura, o sonho da casa própria vem sendo embalado há anos. “Eu vim do Paraná e pagava aluguel de R$ 100,00 em dois cômodos. Não agüentamos porque faltava comida na entressafra. Optamos por morar aqui.â€
Para ela, uma casa de alvenaria com quartos contendo janelas é um sonho. “Significa tudo, porque acredito que na nova moradia vamos ter outro tipo de vida. Para nós, a chuva, o calor ou o frio vão ter significado normal, nada de pânico.â€