Saúde

Quanto mais cedo, maiores os danos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O consumo cada vez mais precoce de cigarros preocupa as autoridades de saúde especialmente porque quanto mais cedo o jovem começa a fumar, maiores são as chances de que ele crie dependência

à nicotina e maiores serão os danos à sua saúde.

A médica pneumologista Nilva Regina Gelamo Pelegrino explica que, uma vez que o desenvolvimento celular dos jovens ainda está em formação,

órgãos e tecidos estão mais suscetíveis aos estímulo cancerígenos das mais de 4.700 substâncias tóxicas que compõem o cigarro.

“Elas podem também ocasionar problemas emocionais ou psicológicos, além de outros, como tosse freqüente, pneumonias, bronquite, gripes e crises graves e freqüentes de alergias respiratórias como a rinite e a asma”, comenta.

A médica cita ainda outros aspectos negativos, como a pele, que fica enrugada e com pouco brilho. “Os dentes ficam amarelos, mais propensos ao aparecimento de cáries e a pessoa fica com mau hálito - coisas que atrapalham o convívio social”, acrescenta.

Segundo Pelegrino, estudos mostram que 90% dos jovens que começam a fumar na adolescência já se tornaram dependentes de nicotina aos 19 anos. E outro fator importante que a médica destaca

é que o cigarro é considerado uma importante porta de entrada para a adoção de outras drogas, principalmente as bebidas alcoólicas e a maconha.

Não bastasse tudo isso, a penumologista lembra que o cigarro e suas quase 5 mil substâncias tóxicas favorecem o aparecimento de inúmeras doenças. Dentre as mais conhecidas, ela cita as complicações respiratórias (enfisema pulmonar, câncer de laringe e pulmões, pneumonias de repetição, crises asmáticas), cardíacas (infarto) e neurológicas

(derrame).

Também há os prejuízos psíquicos (ansiedade, depressão), gastrointestinais

(úlceras, gastrite, câncer bucal), vasculares (trombose e doenças nas artérias), bem como impotência sexual, câncer em diversas partes do corpo, aumento dos níveis de colesterol e envelhecimento precoce.

Um grupo de estudantes de Bauru confirmou já ter provado o cigarro. A curiosidade

é o principal argumento deles para justificar a vontade inicial de fumar. “E também porque os amigos todos fumam e a gente acaba fumando junto”, acrescenta um deles.

Outro estudante abordado disse que fumou pela primeira vez aos 14 anos e gostou.

“No início era só no final de semana. Hoje (aos 17 anos) eu fumo meio maço por dia”, conta. Ele garante que a mãe, exfumante, sabe. “Ela sempre me aconselha a parar. Meu pai, quando descobriu, brigou muito comigo, disse que ia me fazer mal, que é gastar dinheiro à-toa. Hoje ele acha que eu parei, mas como meus pais são separados e eu moro com minha mãe, tenho liberdade de fumar em casa”, diz.

Como identificar Mas a maioria dos jovens acaba mesmo escondendo dos pais sua experiência com o cigarro, mesmo depois de tornarem- se fumantes regulares. Indagada sobre como os pais podem descobrir se seus filhos estão fumando, a médica sugere que eles observem sempre o comportamento dos filhos.

“Quem fuma tem algumas características comuns, como tosse, pigarro e odor de cigarro”, salienta.

Outra recomendação é conversar.

“Já está comprovado que iniciativas repressivas e castigos não resolvem. A principal medida a ser tomada é o diálogo, tanto no sentido de orientar sobre os riscos do tabagismo, como para tentar identificar possíveis causas que tenham levado seu filho a fumar, como problemas com a auto-estima, ansiedade, depressão mascarada, curiosidade, entre outras, procurando tratá-las”, orienta. Na opinião da pneumologista, a medida mais eficaz para prevenir o tabagismo entre os adolescentes é a educação, no sentido mais profundo da palavra.

“As escolas são fundamentais na educação sobre o tabagismo. No Brasil, algumas instituições de saúde apresentam programas de treinamento para professores do ensino médio. Mas revistas e jornais também podem contribuir com matérias que alertem sobre o tabagismo, de preferência utilizando uma linguagem comum e atraente aos jovens, que prenda a atenção desse público”, defende. E completa. “É importante que os pais não fumem. Os filhos de fumantes apresentam maior tendência para o tabagismo”, destaca. Tendência que os números confirmam. Dentre os alunos entrevistados pelo Sistema de Vigilância de Tabagismo em Escolares

(Vigescola), o número de fumantes é maior no grupo em que pelo menos um dos pais é tabagista.

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