Bairros

Bauru quer fazer teste de leishmaniose

Da Redação
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Das cidades do Estado de São Paulo com focos de leishmaniose, Bauru é a mais preocupante atualmente. A afirmação do coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde, Luiz Jacinto da Silva, sinaliza que as ações de combate à doença até o momento não foram suficientes. Controle constante e agilidade serão premissas para enfrentar a epidemia. Para isso, uma das alternativas, segundo a administração municipal, será realizar os exames em cães suspeitos em laboratório próprio, em Bauru.

Em reunião realizada ontem com a equipe de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal da Saúde, o prefeito Tuga Angerami (PDT) aproveitou a presença do coordenador para solicitar o credenciamento da cidade na realização dos exames. Atualmente, Bauru é responsável pela coleta de sangue dos animais, feita pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Após a coleta, as amostras são encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz de São Paulo. O tempo médio de espera pelos resultados é de um mês, prazo que seria reduzido para quatro dias com a realização do teste em Bauru, segundo Silva.

De acordo com informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, para que Bauru passe a fazer os exames nos cães, a proposta terá que ser estudada pelo Instituto Adolfo Lutz e, em seguida, aprovada pela Coordenadoria de Controle de Doenças da secretaria.

“Assumir a realização de exames de diagnósticos caninos dá agilidade ao processo (de combate à doença). A Secretaria de Estado da Saúde poderá nos repassar os reagentes (substâncias químicas para os exames) e treinar pessoas para fazer o exame. Isso não irá implicar em custos para a administração. Não é nada complicado de ser feito”, sustenta Angerami.

O prefeito adianta que, em princípio, os exames não seriam feitos pelo CCZ, mas em parceria entre universidades e a prefeitura.

Atenção constante

O tratamento da leishmaniose, doença infecciosa que afeta principalmente cães e humanos, deve ser encarado como necessidade constante. “É um trabalho sem glórias. Não é só fazer uma campanha e esquecer. Tem que ser de maneira sistemática e diariamente”, explica o coordenador do Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde.

As principais medidas para a prevenção da doença, diz Silva, são a limpeza dos locais de risco, controle da população canina, diminuição do tempo de espera entre exame e resultado e a posse responsável do animal por parte do dono. Ações já conhecidas da população e do poder público, mas que terão que fazer parte da cultura da cidade. “Teremos que aprender a conviver com a doença. A leishmaniose veio para ficar e tem que haver disciplina para evitá-la”, afirma Silva.

Segundo ele, a média de cães doentes na cidade hoje chega a 10% da população total, que é de aproximadamente 70 mil animais. Porcentagem, de acordo com o Silva, inferior a de áreas críticas da região de Araçatuba (também foco de leishmaniose), que teriam entre 20% e 30% de cães doentes. “Com esforço concentrado, é possível baixar (a incidência em Bauru) para 5% em dois anos”, estima.

Além da intenção de agilizar os resultados dos exames com o credenciamento do laboratório, Tuga Angerami afirmou que haverá uma “conjugação de ações”. “Temos que investir no manejo ambiental, ou seja, limpeza; promover o controle populacional dos cães; esterilizar os animais e aumentar a captura de cães errantes (sem dono). Além disso, lembrar o dono que ele tem responsabilidades sobre o animal”, diz Angerami. O prefeito lembra ainda que regiões mais críticas, hoje a oeste, serão priorizadas nas ações e que haverá monitoramento permanente para analisar a distribuição dos casos na cidade.

Cuidados

Além das ações do poder público, o coordenador de Controle de Doenças do Estado, Luiz Jacinto da Silva, lembra que parte da prevenção fica por conta da população. A orientação é manter limpo o animal e o local onde ele vive; não deixar o cão pela rua e, se possível, colocar telas de proteção nas casas para evitar a entrada do mosquito palha, transmissor da doença.

Em 2004, mais de 12 mil amostras de sangue de cães suspeitos foram coletadas em Bauru. Destas, 846 resultados deram positivo e 658 cães foram sacrificados.

Desde o início do ano passado, 30 casos de leishmaniose visceral humana foram registrados na cidade - dois surgiram este ano. Cinco pessoas morreram vítimas da doença desde 2003, quando registrou-se o primeiro caso em Bauru.

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