A proposta de ocupação do edifício da escola “Ernesto Monte” por parte da Prefeitura, apresentada pelo vereador João Parreira e acolhida pelo prefeito Tuga Angerami, nunca deveria ter sido cogitada. Pelo menos em função da justificativa oferecida para isso, de parte do vereador e do prefeito.
Milhares e milhares de bauruenses receberam naquele prédio, durante decênios, os fundamentos do preparo intelectual para suas carreira no ensino superior. Fechar a escola, para transformá-la em simples repartições da Prefeitura, deixando seus alunos ao relento ou espalhados pelos bairros, não deixa de ser uma bofetada nos antigos alunos, professores e funcionários. Seria jogar por terra uma tradição arraigada no cenário educacional do município e do Estado.
Defendo aqui a tradição, a história da Escola. E parece-me inteiramente improcedente a alegação de que a ocupação do prédio permitiria uma economia mensal de 50 mil reais aos cofres da municipalidade. Como se a medida realmente possibilitasse a mudança, para lá, de todas as secretarias e órgãos do poder público hoje abrigados em imóveis alugados.
Essa informação é falsa, é mentirosa. Bastaria alojar as secretarias de Saúde e da Educação no referido prédio e todo o espaço estaria esgotado. Não caberia mais nada ali!
A Prefeitura assume vários compromissos com os governos estadual e federal, no sentido de garantir o abrigo de repartições que prestam serviços à cidade e região. Exemplo: três prédios alugados para os cartórios eleitorais (sem essa ajuda os cartórios não seriam abertos). Outros prédios estão sendo bancados pelo município, em favor de repartições das Polícias Civil e Militar, do Ministério Público do Trabalho, da Delegacia da Mulher, do imóvel da Ciretran etc, etc. Temos em Bauru perto de uma dezena de prédios alugados para o uso de programas bancados com verbas do Estado e da União. Para esses todos, por certo não haveria espaço disponível lá no edifício do “Ernesto Monte”. Onde, então, a economia invocada pelo vereador Parreira e pelo prefeito Angerami?
Por essa e outras, a esdrúxula proposta aqui reportada deve ser engavetada e nunca mais cogitada. Alunos e ex-alunos, professores e ex-professores do “Ernesto Monte”, esperam que o bom senso predomine em favor do prestígio educacional da nossa Bauru. Grata pela publicação.
Brasília Galvão - RG. 14.322.111