“Permanecerei entre vos até o final dos tempos”. A frase de Jesus é levada literalmente a sério pelos estudiosos do Santo Sudário, o lençol de linho que, segundo eles, envolveu o corpo de Cristo após a retirada da cruz e deixou marcas “inquestionáveis” de seu sofrimento. Os analistas, cristãos ou não, já vêem o manto como o quinto Evangelho. Eles acreditam que o Sudário poderá se transformar, com o avanço da Ciência, no instrumento de conversão do homem incrédulo do terceiro milênio.
É o que defende o advogado e publicitário Paulino Brancato Jr., um dos mais conceituados especialistas em Santo Sudário. Ele foi o primeiro e único brasileiro a filmar o Manto de Turim no congresso internacional realizado em 1978, que reuniu cientistas de todo o mundo para debater os mistérios que ainda cercam o lençol de linho.
Para Brancato, não há dúvidas. “O Santo Sudário é essencialmente um instrumento de conversão do terceiro milênio”, afirma. Ele acredita que a fé é filosófica. “É curioso porque à medida que vai passando o tempo, o homem vai crescendo e conhecendo melhor a Deus. O homem é como uma criança. As verdades estão aí, mas ele não as compreende. Depois, conforme ele vai crescendo, vai entendendo”, defende.
O estudioso lembra que o Sudário existe há 2.000 anos. “Ninguém sabia o que ele era. Olhavam aquilo e era uma mancha, uma figura. Veja hoje quanta coisa o Manto de Turim nos diz. Ele é uma peça científica para o homem de hoje. Para o estudo e para a fé. O sudário é o quinto Evangelho”, diz categoricamente.
Na avaliação dele, tudo o que está registrado nos velhos evangelhos, como as chicotadas, a coroa de espinhos na cabeça, a lançada no peito, é possível visualizar no Santo Sudário. “Quando os apóstolos poderiam imaginar que dois milênios depois nós teríamos uma fotografia inteira do corpo de Cristo de frente e de costa?”, observa.
Carbono 14
Os estudiosos do Santo Sudário questionam os testes feitos em 1988 por três laboratórios - (Universidades do Arizona (EUA) e Oxford (Inglaterra) e Instituto Politécnico de Zurique (Suíça) - que apontaram, pelo método do Carbono 14, que o Manto de Turim era uma peça medieval, confeccionada entre 1260 e 1390.
As contestações surgiram de várias partes do mundo. Brancato lembra que no último Congresso Internacional sobre o Santo Sudário, realizado em Turim em 1998, o professor Leôncio Garça Valdez apresentou uma descoberta importante.
O especialista conta que Valdez examinou os fios do Sudário, sobras das amostras retiradas para o teste de Carbono 14, e constatou que eles estão envoltos numa capa bioplástica, produzidas através dos anos pelas bactérias presentes no tecido. Essa capa bioplástica modifica sensivelmente o resultado dos testes.
Também há provas da invalidade dos testes realizados, se levadas em conta as modificações sofridas pelo tecido ao passar por graves incêndios e pelo fato de ter sido encharcado pela água empregada para debelá-los.
É o que afirmou, em 1995, o cientista russo Dmitri Kouznetsov. Ele demonstrou experimentalmente o que já havia confirmado num congresso realizado em Roma, em 1993, isto é, que o incêndio de 1532 modificou a quantidade de carbono radioativo presente no Sudário, alterando sua datação, que pode ser situada no século I d.C.
“Para nós, fiéis, parece que Jesus quis deixar sua fotografia de corpo inteiro, de frente e de costas, com todas as marcas da Paixão. Afinal, ele mesmo prometeu: ‘Permanecerei com vocês até o final dos tempos”, finaliza Brancato. Amém!
O tecido mais famoso do mundo
O Santo Sudário é um lençol de linho branco, de 4,30 metros por 1,10 metros de largura, no qual José de Arimatéia, ajudado por Nicodemos, teria envolvidos o corpo de Jesus antes de sepultá-lo. Depois de pedir permissão a Pilatos, descravaram o corpo da cruz, untaram-no com mirra e aloés para retardar a necrose, envolveram-no no sudário e depositaram-no num túmulo novo cavado na rocha.
A cor do tecido, originalmente branca, está amarelada pelo tempo e chamuscada por dois incêndios. Um deles aconteceu em 1532, na cidade de Chambéry (França), e provocou 12 buracos no tecido, parte deles remendados pelas irmãs Clarissa em 1534. Entre as queimaduras, aparece a imagem inteira, de frente e de costas, de um corpo humano masculino com 1,83 metros de altura, pesando aproximadamente 81 quilos.
Em 1978, os cientistas da Nasa realizaram o maior e mais sofisticado estudo interdisciplinar já feito sobre o Sudário. Quarenta toneladas de aparelhos de pesquisa, 120 horas de coleta de materiais e medições, 100 mil horas de estudo posterior, 600 horas de observação ao microscópio para examinar 36 amostras de 35 centímetros quadrados e 300 fibras de tecidos do sudário.
Conclusão: a imagem do homem do Sudário foi causada por uma irradiação calórico-luminosa, especial e instântanea, que saiu do corpo do crucificado. Essa irradiação chamuscou ligeira e superficialmente as pontas das fibras do tecido. A Ciência ainda não conseguiu explicar o fenômeno.
Fonte: Uma ‘foto’ de Cristo de 2000 anos - Santo Sudário (de Paulino Brancato Jr.)