Um dos sonhos mais acalentados pelo ser humano é, sem dúvida, construir uma carreira profissional bem-sucedida e duradoura. Para os mais ousados é chegar no topo do organograma da empresa ou ser o número um do ranking de uma profissão liberal. Um caso, de visibilidade pública, sobre as dificuldades para manter-se na liderança pode ser encontrado, atualmente, no campo esportivo. Dentre as melhores equipes mundiais, uma delas é, sem dúvida alguma, o Real Madrid da Espanha. A sua diretoria formou, a peso de euros, um autêntico Dream Team - o time dos sonhos - com um elenco de craques da mais alta qualidade técnica. Acontece que, apesar das indiscutíveis habilidades técnicas dessas “estrelasâ€- carinhosamente chamadas de “galácticos†- a falta de brilho das mesmas tem frustrado as expectativas da sua fiel torcida.
Salários de causar inveja a executivos de grandes empresas, excelentes condições de trabalho, qualidade de vida de alto padrão, aplausos da torcida e constante exposição na mídia, têm sido insuficientes para evitar os momentos de incertezas que vivem os “galácticosâ€. Segundo o noticiário esportivo, entre as possíveis causas do baixo rendimento desses diferenciados atletas podem estar a queda das condições físicas de alguns jogadores, uma gorda conta bancária capaz de impedir que a motivação seja a mesma do início da carreira, o excesso de confiança no próprio potencial, a melhor performance de outras equipes, o empenho extra dos adversários em ter o prazer especial de derrotar a consagrada equipe madrileña, o desvio de foco face à vida privada e as atividades empresariais fora do futebol. Certamente,os dirigentes e jogadores do Real Madrid têm competência gerencial e habilidades individuais para reverter a incômoda situação, desde que superem o seu maior adversário - eles próprios.
Esse exemplo revela que, como no alpinismo, um passo em falso pode ser fatal. Também no mundo dos negócios não é diferente - o mercado pode até não reclamar, mas nunca esquece de se vingar. A alternância da liderança é encontrada na sucessão dos impérios ou no poderio de nações que, no passado, dominaram grande parte do planeta e hoje se restringem a pequenos territórios, algumas com economias expressivas, outras pouco representativas. No campo empresarial, a história não é diferente. Basta comparar as empresas líderes de hoje com as de décadas passadas. Algumas se mantiveram, outras perderam fôlego e muitas desapareceram porque não souberam se reinventar. Assim como no esporte de alto rendimento, as estrelas brilham em todas as atividades humanas. Dessa constelação destacamos: Moisés, Leonardo da Vinci, Madre Teresa de Calcutá,Nelson Mandela,Pelé e Bill Gates.Para reflexão de cada um de nós, fica a lição de que a conquista da alta performance sustentada encontra-se na atitude do skatista, que usa a ousadia para suas manobras radicais e a humildade para transformar cada queda num degrau a mais na escalada do ranking mundial.
O autor, Faustino Vicente, é consultor de empresas e de órgãos públicos