A matéria publicada com destaque no último domingo (27/3/2005) sobre o Sudário de Turim apresenta uma versão muito parcial dos fatos. Penso que nós, leitores do JC, temos direito à informação livre, ampla, irrestrita e imparcial, razão pela qual resolvi enviar-lhes estas notas.
Existem 6 fatos principais que contestam a autenticidade do Sudário:
1) O Sudário contradiz o relato do sepultamento de Jesus no Evangelho de São João. No Novo Testamento Grego, contam que Jesus foi envolto em faixas de linho (othonia, em grego), e não em um lençol inteiriço de linho (João 19:40 e 20:6-7). João também diz que o corpo de Jesus foi sepultado numa grande quantidade de aloés e mirra: nenhum traço de quaisquer dessas duas especiarias foi achado no Sudário.
2) O Sudário de Turim era completamente desconhecido até meados do século 14 quando surgiu abruptamente em Lirey, região centro-norte da França. A partir daí tornou-se o mais famoso dos 40 sudários até então venerados como relíquias de Jesus.
3) O documento mais antigo sobre o Sudário é o relato do bispo Pierre D’Arcis ao papa Clemente VII, datado de 1389. O comunicado ao Papa afirma que o Sudário foi criado como parte de um estratagema de cura pela fé, “sendo a verdade atestada pelo artista que o pintouâ€.
No ano seguinte (em 1390), após uma audiência privada sobre a controvérsia, o papa Clemente VII declarou que o lençol “não é o Verdadeiro Sudário de Nosso Senhor, mas uma pintura feita à semelhança de representação do sudárioâ€.
4) Amostras daquilo que era tido como sangue falharam ao serem submetidas a uma bateria de testes em 1973.
5) Ao final da década de 70, o microanalista forense Walter McCrone, um especialista no exame da autenticidade de documentos e pinturas, identificou o “sangue†do Sudário como sendo ocre vermelho e tinta à base de têmpera de vermelhão e concluiu que a imagem inteira foi pintada.
6) Em 1988 a datação do Sudário por carbono 14 - conduzida por laboratórios em Zurique, Oxford e Universidade do Arizona - produziram resultados muito próximos, atribuindo-lhe uma data entre 1260 e 1390 D.C. Esta faixa de idade coincide com a confissão do falsificador no relatório enviado ao papa Clemente VII. Alegações de que a datação pelo carbono estava errada ignoram o fato de que o Sudário teria que estar contaminado com o dobro do seu próprio peso em material contaminado para deslocar a idade do Sudário até o primeiro século D.C.
Estas informações foram transcritas de um artigo de Kevin Christopher traduzido por mim e publicado em: www.geocities.com/paraciencia/sudario.html.
Jorge Alberto Correia Bettencourt Soares - RG 5.067.081