Bairros

Barulho e poeira poluem a região central

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Quando o trânsito está complicado na avenida Rodrigues Alves, o ouvido dos moradores dos prédios localizados na via é que sofrem. O barulho atrapalha a comunicação e a tranqüilidade de quem vive na região central da cidade.

“O pessoal reclama muito do barulho aqui”, ressalta Genésio Roberto, porteiro de um edifício na quadra 12 da avenida Rodrigues Alves.

A moradora do mesmo prédio, a aposentada Maria Teresa Godoy, confirma a premissa. “O mal de quem mora no Centro é a poeira e o barulho”, diz.

Ela conta que até as 22h, o som dos carros é um tormento. “O pior horário é às 18h, momento de pico do trânsito, quando as pessoas estão retornando para casa depois de um dia de trabalho”, destaca.

O neto dela, Felipe França, 10 anos, reclama que não consegue assistir tevê, nem dormir direito. “Tem horas que o barulho fica bem alto”, destaca.

A musicista Nida Marchioni costuma sair de casa para compor. Moradora de um edifício na quadra 11 da avenida Rodrigues Alves, ela conta que é a melhor maneira de ter sossego. “Quem mora no Centro da cidade não pode exigir silêncio. Então, para ficar livre do barulho, tem de ir para outro lugar”, salienta.

Para encontrar mais tranqüilidade e menos barulho, Marchioni costuma se refugiar em chácaras de amigos.

Mas a poluição sonora não está localizada apenas na região central da cidade. Há vários pontos espalhados por Bauru.

Com a expansão do município para a zona sul, o foco de barulho se ampliou. A região da avenida Getúlio Vargas e da avenida Nossa Senhora de Fátima, por exemplo, sofre com o ronco dos motores dos veículos e com o som de bares e boates concentrados na localidade.

O síndico de um edifício que fica na Praça Portugal, João Contador, destaca que os moradores já chegaram a fazer um abaixo-assinado tentando amenizar o problema do ruído. “Levamos o documento na polícia e fizemos boletim de ocorrência, mas esse problema nunca acaba”, reclama.

Segundo ele, o mais complicado é o barulho que surge de madrugada. “Os bares que ficam aqui perto costumam manter o som alto até 2h, 3h, ninguém dorme. Quando não é no estabelecimento, é no carro de algum cliente deles”, frisa.

O porteiro Genésio Roberto, que trabalha na região central, mora na Vila Falcão. Segundo ele, lá também é um local de grande ruído. “Como é uma região bem desenvolvida, tem bastante barulho de carro e caminhão. A poluição é grande”, salienta.

Para os entrevistados, o maior problema desse tipo de poluição é o nervosismo e o estresse que ela causa. “A gente fica tenso porque não consegue sossego dentro de casa. Incomoda bastante”, diz Contador.

Cortinas sujas

Além da poluição sonora, quem mora em áreas de muito trânsito tem de travar uma luta diária contra a poeira. Mesmo que as ruas sejam pavimentadas, os resíduos emitidos pela fumaça dos automóveis suja a casa e contamina as vias respiratórias dos moradores.

A dona de casa Maria Teresa Godoy mora há 6 anos no trecho central da avenida Rodrigues Alves. Ela conta que limpa a casa muitas vezes, mas o pano sai sempre sujo. “É um pozinho preto que não pára de assentar nos móveis e no chão”, salienta.

Ela destaca que não dá nem para andar descalça nos dias mais quentes dentro do apartamento, pois o pé acaba ficando sujo. “E as cortinas, então? Quando tiro para lavar, elas estão pretas da poeira”, ressalta.

Apesar de incomodada, ela já se conformou com esse transtorno. “Ainda não tivemos nenhum problema de saúde por causa disso. Então, temos de nos conformar, pois essas são as desvantagens de morar no Centro da cidade”, frisa.

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