Ontem à noite, os católicos tiveram um motivo a mais para irem à missa: agradecer pela vida de uma das figuras mais importantes que a Igreja Católica já teve em toda a sua longa existência. Apesar da morte do papa João Paulo II ter sido anunciada oficialmente pelo Vaticano às 16h37 de ontem, para os fiéis, enquanto o papa esteve vivo, foi um exemplo de amor ao próximo e de dedicação à Igreja. E é isso que deve ser celebrado.
Essa é a opinião de Laureci Machado Ribeiro Riehl, 63 anos, para quem o papa foi a “pessoa certa no lugar certoâ€. “Os ensinamentos que ele deixou vão ficar para sempreâ€, disse ela, que em 1995 esteve frente a frente com o pontífice, em Roma.
“Foi uma experiência maravilhosa, inesquecível. Era uma pessoa de muita luz, de muita paz e muito carinhosoâ€, classificou ela.
Odete Passarele, 71 anos, que esteve orando ontem à noite na Catedral do Divino Espírito Santo, também teve a oportunidade de ver o papa de perto em 1980, em São Paulo. A morte de João Paulo II, na opinião dela, foi uma perda dolorosa. “Foi o papa da paz, incansável, que se esforçou para unir as religiões.â€
A preocupação em promover a paz entre os povos, aliás, foi uma das peculiaridades do papa que mais foi lembrada ontem por alguns dos fiéis que compareceram à Catedral.
Para Maria Aparecida Felix, 58 anos, ele foi o “promotor da pazâ€, “um líder como nunca houve antes na igrejaâ€. Enquanto aguardava o início da missa, Antônio Parreira Pinto, 70 anos, orava em agradecimento ao “grande pastorâ€. À vida daquele que não mediu esforços para que a paz se estabelecesse em todas as partes do mundo.
Sem conseguir conter a emoção, Claudete Aparecida Crosera Pinto, 61 anos, lamentava a morte do papa. Na opinião dela, a perda não está sendo sentida só pelos católicos, mas por todo o mundo.
O padre Luís Antônio Carqueijo Sé, que em 2000 também esteve com o papa, em Roma, classifica João Paulo II como um dos homens mais importante da história da humanidade. “Ele soube trabalhar muito bem as diferenças entre as religiões. Era uma pessoa carismática, que mantinha contato constante com o povo.â€
A opinião é compartilhada com o bispo diocesano de Bauru, dom Luiz Antonio Guedes. Segundo ele, existem muitas semelhanças entre o papa e Jesus Cristo. E uma delas é justamente o costume de ir ao encontro da multidão.
“(O papa) era um pastor itineranteâ€, definiu dom Luiz Antonio. Sobre a sucessão de João Paulo II, o bispo não arrisca nenhum palpite, mas tem boas expectativas. “Assim como ele (João Paulo II) foi uma surpresa agradável, quem sabe Deus não está nos reservando uma outra grata surpresa.â€
Segundo o bispo, ainda não foi definida quando e como a Diocese de Bauru vai prestar suas homenagens ao papa. Ele deverá se reunir hoje com outras autoridades eclesiásticas para definir como será o procedimento.
O bispo adiantou que será solicitado a todas as paróquias da Diocese que façam uma celebração especial pela vida do papa e também pela sua passagem à eternidade.