“Quem tem cão deve cuidar do chão”. A frase de efeito, estampada num outdoor no Centro de São Paulo, busca conscientizar os donos dos animais da importância do recolhimento das fezes durante os passeios matinais e vespertinos com aquele que é considerado o melhor amigo do homem. Em Bauru, a situação incomoda os transeuntes de locais de caminhada, como a avenida Getúlio Vargas e o Parque Vitória Régia.
Como se já não bastasse a “companhia” de cães ferozes sem qualquer tipo de proteção, como focinheira, moradores da zona sul da cidade são obrigados a desviar de fezes de cachorros que defecam nas calçadas sem qualquer tipo de providência por parte de seus donos.
Mas nesse mundo de incivilizados, há exceções. A ortodontista Silvia Maria Graziadei caminha diariamente na companhia de uma cachorra labradora, que atende pelo nome de Nala. “Faço questão de levar alguns saquinhos plásticos para recolher as fezes. Quem eu vejo que não tem essa consciência, procuro dar a dica”, explica.
Ela conta que durante o percurso de 90 minutos que faz com sua cachorra, na região da praça Portugal/avenida Getúlio Vargas, é obrigada constantemente a se desviar das fezes dos animais, além dos enormes buracos que “enfeitam” as calçadas.
“Falta educação. A partir do momento em que você optou por ter um animal, é preciso cuidar de tudo. É a mesma coisa que ter um filho. Se seu filho vomita, você não vai limpar?”, exemplifica.
Para a ortodontista, a criação de uma lei municipal para exigir que os donos de animais recolham as fezes não tem chances de funcionar. “Vai ser uma lei inócua igual a da focinheira, já aprovada. Como a prefeitura não fiscaliza, não há punição”, analisa.
Silvia acredita que o melhor caminho é a conscientização da população através de campanhas publicitárias. “Algum supermercado poderia encampar a idéia, já que os saquinhos normalmente são utilizados pelos mais conscientes para o recolhimento das fezes”, sugere.
Embora não passeie com seus cachorros pelas ruas do bairro, a jornalista Maria Eduarda Lages também é da opinião de que a cidade deve ser mantida limpa. “Tenho dois cães. A minha empregada é orientada a recolher as fezes quando sai com eles para a rua”.
A dona de casa Rejane Borba Siqueira garante que não passa “carão” quando sai com seus dois cães para passear. “Eu acho que é sim correto recolher as fezes. Mas os meus animais fazem as necessidades em casa, antes de sairmos”, justifica.
Sem efeito
O município de São Paulo criou lei para penalizar os donos de animais que se recusam a recolher as fezes durante as caminhadas. A multa pelo descumprimento da legislação é de R$ 10,00 por animal. Em Bauru, não há legislação que normatiza a questão.
E se depender do presidente da Câmara Municipal, vereador Toninho Garmes (PSDB), a cidade não terá lei nesse sentido. “Eu abomino as pessoas que passeiam com seus animais e não recolhem a sujeira. Esse comportamento demonstra falta de cidadania. É um incômodo muito grande. Infelizmente, o cidadão, quando não é do interesse dele, deixar de cumprir com suas obrigações”, opina.
Para o tucano, a aprovação de uma lei para punir os donos de animais desatentos será inócua porque não haverá fiscalização. “Basta vermos a lei da focinheira. Ela existe mas não é cumprida porque não há fiscalização por parte da administração municipal”, diz.
A mesma opinião tem o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB). “Eu até cheguei a fazer uma minuta de projeto de lei com esse objetivo, mas desisti. É impossível se ter um fiscal em cada esquina da cidade. Na minha avaliação, a questão é muito mais cultural”, observa.