Sem justificativas concretas, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp) cancelou a realização da 3.ª Bienal do Livro de Bauru, que estava prevista para este ano. O evento havia sido anunciado pela própria Imesp em 2003, durante a segunda edição da feira, como integrante do calendário oficial do município a cada dois anos.
A 1.ª Feira do Livro de Bauru foi realizada em 2001, no Centro de Convenções Mixage. Em 2003, o evento recebeu o nome de 2.ª Bienal do Livro, já que a Imprensa Oficial anunciou a intenção de promover a feira a cada dois anos em quatro cidades do Estado, entre elas Bauru.
Através de nota, a assessoria de imprensa da Imesp informou à equipe de reportagem do JC Cultura que o evento não será realizado em 2005 porque não houve solicitação por parte da Prefeitura de Bauru.
“Como uma empresa pública, a Imprensa Oficial não pode se antecipar no apoio aos eventos, e sim receber projetos e solicitação de patrocínio para análise da questão”, informa a assessoria.
Ela destaca, ainda, que o órgão público participou nas edições anteriores apenas como parceiro do evento e que a idéia era passar conhecimentos aos municípios para que eles pudessem realizar seus próprios projetos. O presidente da Imesp, Hubert Alquéres, negou-se a dar entrevista sobre o assunto.
A assessoria de imprensa da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que apoiava a bienal juntamente com a Secretaria Municipal de Cultura (SMC), afirmou que não foi acionada para a realização do evento em Bauru. Ela explica que o órgão participa apenas com divulgação e convidando escritores para o café literário, espaço em que eles conversam com leitores.
Na SMC, o clima é de surpresa já que, em anos anteriores, o apoio da secretaria municipal foi pouco solicitado por parte dos organizadores do evento. De acordo com informações extra-oficiais, em 2003, a maior parte dos trâmites envolveu a Imprensa Oficial e a Universidade do Sagrado Coração (USC), que sediou o evento.
O secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, não havia sido comunicado sobre o cancelamento da bienal e recebeu a notícia através do JC Cultura. “A informação que eu tenho é de que geralmente quem tomava iniciativa de fazer ou não a bienal era a Imprensa Oficial. E eu ainda não tive nenhum contato com eles, nunca ninguém me acionou”, diz.
Vinagre destaca que, por ser um evento de grande porte envolvendo diversas editoras do Estado e do País, a Secretaria Municipal de Cultura não teria condições de organizá-lo sozinha. A pasta mantém apenas a Feira do Livro Infantil, cuja quinta edição será aberta no próximo dia 12.
“O evento só tinha esse porte porque era a Imprensa Oficial que realizava. Para a prefeitura assumir, isso não faz de uma hora para outra”, argumenta.
Sobre a alegação de que a Imesp não foi acionada pelo município, o secretário informa que os contatos, se necessários, deveriam ter sido feitos na gestão passada, já que um evento desse porte não se organiza em poucos meses. “Se tivessem nos comunicado sobre a possibilidade de cancelamento, teríamos demonstrado nosso interesse em apoiar, como já foi feito antes”, acrescenta o titular da pasta de Cultura, que garante que procurará mais informações sobre o cancelamento para tentar reverter a situação e retomar a programação da bienal. “Se a bienal realmente não for realizada, será uma grande perda para a cidade, com certeza”, frisa.
O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) sugere que entidades, universidades, empresas de Bauru ou que o próprio poder público municipal se coloque à disposição da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo para firmar parcerias e evitar que o município perca a bienal. “Eu acho bom que a feira venha para cá. Mas precisa ter alguém interessado em coordenar. Eles querem achar parceiros”, salienta.
História
A 1.ª Feira do Livro de Bauru foi realizada em novembro de 2001, no Centro de Convenções Mixage. O evento foi promovido pela Imesp, com apoio da CBL, Associação Nacional das Livrarias, Prefeitura Municipal e Secretaria de Estado da Educação. O evento teve público de cerca de 80 mil pessoas.
O então presidente da Imesp, Sérgio Kobayashi, anunciou que a feira seria a segunda realizada no Estado. A primeira teria sido em Ribeirão Preto. O objetivo da iniciativa seria estimular o hábito da leitura.
No mesmo ano, o órgão anunciou que a Bienal do Livro chegaria a Bauru em 2003, através do projeto Circuito Paulista do Livro. A cidade estaria entre as quatro escolhidas para sediar o evento, que seria realizado nos moldes da Feira do Livro. As outras selecionadas seriam Campinas, Ribeirão Preto e Santos.
Em 2003, o evento, que ganhou o nome de 2.ª Bienal do Livro de Bauru, foi realizado na USC, que disponibilizou um espaço de 692 metros quadrados para a realização da feira e recebeu 40 expositores.
Na ocasião, o novo presidente da Imesp, Alquéres, reafirmou a intenção de incorporar a bienal ao calendário fixo da cidade. “O projeto (Circuito Paulista do Livro) surgiu quando percebemos que um público potencial de leitores não freqüentava as bienais de São Paulo e Rio de Janeiro por uma questão geográfica”, disse, em entrevista ao JC.
Ele salientou, ainda, que a Imesp se empenharia para que o projeto não fosse interrompido. “Se depender da gente, a cada dois anos a população de Bauru e região saberá que terá a bienal”, disse, sugerindo a bienal de 2005.