O projeto-piloto Farmácias Notificadoras, lançado em 21 de fevereiro deste ano, ainda não deslanchou em Bauru. Até ontem, em 43 dias de funcionamento, somente dez notificações, aproximadamente, haviam sido encaminhadas ao Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. A informação é da farmacêutica Cristina Harue Hayashi, proprietária do estabelecimento onde está sendo realizado o projeto – a farmácia Bom Jesus, instalada na Vila Independência.
O projeto tem o objetivo de estimular nos consumidores à prática da notificação voluntária sobre reações adversas a medicamentos e desvios de qualidade de produtos dessa natureza comercializados no País. Em todo o Estado, outras 47 farmácias integram o projeto, resultado de uma parceria entre o Conselho Regional de Farmácia (CRF-SP), o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O CRF até ontem não dispunha de dados comparativos entre o número de notificações registradas nas farmácias que integram a iniciativa. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, esses dados só devem ser processados após os seis meses iniciais de implantação do projeto.
De acordo com Hayashi, a maior parte das notificações registradas até ontem na farmácia de Bauru envolve casos de desvio de qualidade. Entre as quais estão quantidade inferior de cápsulas previstas na embalagem, vazamento do produto e data de fabricação não visível.
“Nem tudo que chega é encaminhado (para o CRF). A gente faz uma triagem para ver os casos de desvio de qualidade e reação adversa”, observa a farmacêutica.
As notificações são encaminhadas para o Conselho Regional de Farmácia, que as repassa para o Centro de Vigilância Sanitária, onde são feitas todas as análises. Caso haja algum tipo de irregularidade a Anvisa tomará as providências necessárias, como soltar um alerta ou até mesmo retirar o medicamento do mercado.
A farmacêutica afirma que alguns consumidores que procuraram o estabelecimento nesse período inicial de implantação não se mostraram esclarecidos sobre os objetivos do projeto.
“O pessoal não entendeu muito bem. Alguns acharam que vamos fiscalizar as farmácias, outros acharam que aqui seria efetuada troca de medicamentos que (supostamente) não funcionam. É uma coisa nova e temos tido dificuldades por isso. Acho que falta maior esclarecimento da população”, diz a profissional, lembrando que cabe à farmácia apenas encaminhar as notificações de possíveis irregularidades ao CRF.
• Serviço
A farmácia Bom Jesus fica na rua Luiz Gama, 6-20, Vila Independência. Telefone: (14) 3236-1450.