Aproveito esta oportunidade para manifestar-me sobre a polêmica criada para a denominação do novo aeroporto, em construção nos municípios de Bauru e Arealva. Atualmente tenho setenta e cinco anos de idade e acompanhei tudo que foi relacionado à aviação em Bauru. O atual aeroporto que temos nós devemos ao trabalho incansável do sr. Luiz Gonzaga Bevilacqua. Foi ele quem conseguiu o terreno e fez uma picada na mata para o início da construção de tal aeroporto.
Foi ele e o Nacib Salmem que criaram em Bauru um curso de piloto. Na ocasião, Luiz Gonzaga Bevilacqua trouxe como instrutor o sargento Braga, quando o aeroporto tinha uma pequena economia e então um outro diretor queria gastar a importância em outras atividades e Bevilacqua exigiu que o dinheiro fosse utilizado para a construção de um hangar.
As toras para a feitura do hangar foram doadas pelo senhor Moura Andrade, retiradas de uma sua fazenda de Andradina. Essas toras foram transportadas para Bauru em trens da Noroeste e cerradas em suas oficinas, tudo autorizado pelo general Marinho Lutz, quem inclusive conseguiu os tijolos para a construção, enquanto que o cimento foi conseguido por doação pelo pai do sr. Ermírio de Moraes, tudo por solicitação de Luiz Gonzaga Bevilacqua.
A construção foi uma verdadeira aventura efetuada por Joaquim Figueiredo, na forma mais segura que o conhecimento lusitano permitia, sendo que, inclusive, o senhor Luiz Gonzaga Bevilacqua, um civil, participava do Centro de Pesquisa Nacional juntamente com altas patentes militares. Por tudo que fez e representa para a aviação brasileira e bauruense, nada mais justo que o novo aeroporto venha a ser denominado Luiz Gonzaga Bevilacqua. Atenciosamente.
José Ambrósio Filho - RG 1.075.466