Tribuna do Leitor

Labrador não ataca


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Senhor Jorge Quatrina.

Acho que a sua missiva a respeito do desconhecimento da dona da cadela Nala, sra. Sílvia Maria, foi intempestiva por olhar tão somente o porte do animal que ela conduzia, divulgado pela fotografia. Lamentavelmente, julgo que o desconhecimento é seu, pois a raça labrador não está incluída na Lei que obriga o uso de focinheira e enforcador, por se tratar de uma raça canina extremamente dócil e que jamais atacou alguém, além de, aliás, ser usada, no mundo inteiro, para orientar os deslocamentos dos cegos.

Querer utilizar tais recursos repressivos a uma raça que, apesar de seu porte imponente, presta, cada vez mais, serviços aos seres humanos é querer rotulá-la como uma raça agressiva e até mudar sua conduta cotidiana.

Recentemente, foi publicado na imprensa um fato no Canadá onde um estudante cego, morador na área onde predominava o idioma inglês, possuia um labrador adestrado e que atendia comandos em inglês de seu dono há 5 anos. Quando foi estudar numa Universidade em Quebec, onde o idioma oficial é o francês, houve uma discórdia entre o aluno e a Universidade pois a mesma exigia que o cão respondesse a comandos em francês, e por mais que o estudante cego informasse que o cão somente iria aceitar ordens dele e não de terceiros, sendo que dentre esses comandos inexistiam atitudes agressivas, predominou a divergência.

No processo judicial a universidade não teve como justificar!!! ... Certamente, o veredicto final da Justiça concordou com o estudante, que continuou a estudar sempre escoltado pelo seu amigo e dócil labrador sem nunca incomodar alguém, além de fazer novas amizades com os demais alunos bem-interessados, e que, aliás, até para fazer suas necessidades tinha seu ritual treinado para não sujar os ambientes dos humanos ...

Você pode até argumentar que não tem a obrigação de distinguir as raças caninas, no que eu concordo plenamente, porém, você não pode radicalizar e deveria se informar melhor antes divulgar sua carta na coluna do leitor, visto que sra. Sílvia declarou que a Nala era um labrador. Somente a existência de vigilantes ou guardas municipais, devidamente treinados, poderiam dar a tranquilidade a todos os transeuntes, visto que os os pitbulls, dobermans, filas brasileiro e rotweillers que deveriam usar esses equipamentos de segurança, para o efetivo cumprimento da Lei, não o tem feito cotidianamente.

Quanto a permitir que o seu cão faça suas necessidades fisiológicas nas calçadas e passeios da cidade, isso não é diferente daquele que joga todo lixo pela janela do seu carro... O dia em que o Brasil copiar a lei americana nesse sentido, por cada latinha de cerveja serão R$ 500 de multa e por aí a fora ... e se não pode pagar... vai trabalhar em atividades sociais...

Lindolfo Pinheiro - RG 3.357.280 - médico

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