Regional

Feijão causa polêmica em Reginópolis

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Reginópolis - A Delegacia de Polícia de Reginópolis (70 quilômetros a norte de Bauru) abriu inquérito para apurar denúncia de que a prefeitura estaria distribuindo feijão com data de validade vencida.

Cerca de 12 quilos do produto foram recolhidos em vários pontos da cidade. Na embalagem consta que o feijão foi empacotado no dia 14 de dezembro de 2004 e que deve ser consumido num prazo de 60 dias. Ou seja, a validade venceu no dia 14 de fevereiro. Mas o feijão só foi entregue esta semana aos moradores.

O detalhe da data foi notado por duas moradoras, que procuraram a Câmara Municipal para reclamar. Foram recebidas pelos vereadores João Batista Bento (PL) e Adécio Guandalim (PPS). Com o pacote de feijão debaixo do braço, os vereadores foram procurar o prefeito Cláudio Undiciati (PSDB) para pedir uma explicação e solicitar que todos os moradores fossem avisados da irregularidade e evitassem consumir o produto.

Segundo Bento, o prefeito negou que o feijão estivesse com problemas e não concordou em emitir alerta à população sobre o suposto problema.

Diante da negativa, os vereadores foram à delegacia registrar o fato. Antes de decidir pela abertura de inquérito policial, o delegado Adriano Joaquim Cres pediu para que dois investigadores percorressem escola, creche e asilo em busca de mais amostras do feijão vencido.

Ao todo, foram recolhidos 12 quilos do produto. Uma parte foi separada e remetida para análise em Bauru, de onde seguiria provavelmente para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. De acordo com o delegado, a previsão é de que o laudo fique pronto dentro de 30 dias, aproximadamente.

A polícia só deverá tomar alguma atitude depois que o resultado for divulgado. Até lá, fica a critério de cada morador consumir ou não o produto. Para o prefeito Undiciati, a população não precisa se preocupar com a qualidade do produto.

Segundo explicou, toda essa polêmica teria sido causada por um erro da empresa que embalou o feijão. Em vez de colocar o dia 14/02 como a data do empacotamento, a empresa teria registrado 14/12, segundo argumentou Undiciati. Ele contou que tem em mãos uma nota de esclarecimento da empresa, reconhecendo o erro.

O feijão foi cedido pelo governo federal por meio do programa “Fome Zero”. Segundo o prefeito, o produto foi entregue em fevereiro. São pouco mais de seis toneladas. Desse total, foram distribuídas até o momento cerca de três toneladas.

“A data de validade está vencida. Agora, se o feijão está próprio para o consumo ou não, não cabe a nós responder”, disse Ricardo Kassin, assessor jurídico da Câmara Municipal.

Segundo ele, o Legislativo estaria preocupado com uma possível intoxicação em massa dos moradores e também com o aspecto financeiro do município. “Qualquer dor de barriga poderá levar um morador a dizer que foi por causa do feijão vencido e, por causa disso, entrar com ação indenizatória contra o município”, prevê o advogado.

Seguro quanto à boa qualidade do feijão, o prefeito marcou para a próxima segunda-feira o reinício da distribuição do produto de casa em casa. Como sobrou metade do total enviado pelo governo federal, cada família vai receber mais dois quilos de feijão - a mesma quantidade distribuída na terça e quarta-feira passadas.

Segundo o prefeito, que também é médico, o feijão quando está impróprio para o consumo cheira azedo quando é cozido. Undiciati comentou que ele próprio está comendo o feijão enviado pelo governo e garante que não há nada de errado com o alimento.

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