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Lição do papa


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Gostei muito do relato do embaixador da Polônia no Brasil, Jacek Hinz, lembrando 1979, em Varsóvia, quando o papa João Paulo II, ao falar para uma multidão de estudantes universitários disse firmemente: “Não tenhais medo”. Isso provocou um delírio efêmero de liberdade, que, naquele instante, parecia tão perto, ao alcance da mão. Encheu a todos de alegria e de esperança.Todos sentiram-se unidos pela esperança de liberdade.

Como muito bem lembra o embaixador, “os ensinamentos do papa sobre a necessidade de reconciliação e de solidariedade com os mais pobres foram sua marca, tendo no centro do seu pensamento sempre o homem. O ser humano, seu direito à vida e dignidade motivaram as atuações do papa e na defesa por justiça social e tolerância”.

O Santo Pontífice - ou Santo Súbito, como querem muitos - ensinou e deu, com sua vida, o testemunho das mais fundamentais verdades e princípios cristãos. Como um verdadeiro “servo dos servos de Deus”, o Santo Padre queria chegar a todos nós e a cada um de nós. Dava seu exemplo de misericórdia, de compaixão e de perdão, destacando-os como os mais importantes valores humanos.

Falou disso nos países ricos e nos países pobres, nos democráticos e nos dominados pelas ditaduras. A força de sua fé e de sua energia e o dom de convencer foram uma fonte de esperança para milhões. Indicava os caminhos de melhoramento, apostando sempre na bondade do ser humano.

O grande arauto da reconciliação contribuiu, de forma decisiva, para o fim da Guerra Fria e para a reunificação da Europa. Promovendo o diálogo entre diferentes culturas e religiões, João Paulo II foi o primeiro papa a entrar numa sinagoga e numa mesquita, conclui Hinz.

Acredito que todos - em especial nossos jovens universitários - seremos fiéis às suas mensagens de paz, de reconciliação, de liberdade, de compaixão e de solidariedade, e aí sim, como disse o presidente da Polônia, Aleksander Kwasniewski, Karol Wojtyla ficará para sempre conosco. (O autor, José Marta Filho, é professor da ITE e da Unesp)

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