Em uma distante e deserta região, havia uma espécie rara de borboleta. Com cores fortes, grandes asas e uma particular suavidade no ato de voar, as borboletas desta região eram cobiçadas por colecionadores do mundo inteiro. O que protegia as fantásticas borboletas da extinção era sua extrema capacidade de desaparecer quando alguém as perseguia.
O interesse por este misterioso animal trouxe por anos diversos colecionadores para aquele lugar. Com o interesse de capturar um, eles utilizavam todos os artifícios, mas todas as iniciativas eram em vão. Quando alguém se aproximava de uma delas com suas redes ou aparelhos, a borboleta simplesmente parecia se tornar invisível.
Foi então que um jovem chegou à região sem trazer nenhuma rede ou aparelhagem para capturar borboletas. O rapaz examinou o lugar e escolheu com cuidado um determinado terreno. Neste construiu sua cabana e começou a cultivar flores. Em um determinado dia, o jovem levantou-se e durante o trabalho em seu jardim sentiu algo em sua orelha. Ao olhar lentamente, pôde apreciar uma das misteriosas e fantásticas borboletas brincando em seu ombro.
Os desejos mais egoístas e mesquinhos até os mais humanitários e altruístas demonstram que todo ser humano, independentemente de seu caráter ou valores, busca completar-se, procura sua realização pessoal, tenta criar condições que lhe dêem a sensação de felicidade. Esta vontade inconsciente de ter mais vida nos convence de que o ser humano nasceu para a felicidade. “No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz” (Jorge Luís Borges).
O nosso grande desafio, porém, é encontrar o caminho para a concretização desta busca de nossa vitalidade. Na verdade, durante a existência, nós seres humanos temos fome do significado da vida, ou de aprender a viver de tal forma que nossa existência tenha importância, seja capaz de modificar o mundo ao menos um pouquinho, pela nossa passagem por ele. Nesta necessidade de encontrar a satisfação de viver, todo ser humano faz, ou deveria fazer, em algum momento da vida, uma pergunta essencial: o meu desaparecimento deixaria o mundo mais pobre ou apenas menos povoado? Apesar da morte ser um problema para o ser humano, não é o medo diante dela que, na verdade, deveria nos atormentar, mas o pavor de uma vida sem importância. “Há pessoas que pautam suas vidas em função do temor à morte e há pessoas que o fazem considerando a alegria e satisfação da vida. Os primeiros vivem morrendo; os outros morrem vivendo” (Horace Kallen).
A experiência humana nos ensina que não nos tornamos felizes simplesmente perseguindo a felicidade. A felicidade não se encontra no viver, mas sim no saber viver. Não vive mais o que mais vive, mas o que melhor vive, porque a vida não mede o tempo, mas o emprego que dela fazemos. Quando se fala em saber viver, fala-se na qualidade de conduzir a vida. Em outras palavras, nos tornamos felizes quando vivermos uma vida que significa alguma coisa. A felicidade é sempre um subproduto, nunca um objetivo primário.
Quanto mais você tenta caçar a borboleta, mais ela foge e se esconde. Mas se parar a perseguição, guardar sua rede e se ocupar com coisas mais produtivas do que a caça à felicidade pessoal, ela virá pelas suas costas e pousará no seu ombro. A satisfação de viver surge quando aprendemos a desfrutar as coisas que nos fazem humanos, as coisas que só os seres humanos podem realmente fazer. A pior sensação de insatisfação e frustração com a vida tem sua origem na percepção de que você poderia ter sido um ser humano de verdade, mas agora não há mais tempo. Você poderia ter conhecido a satisfação de cuidar de alguém, de ser generoso, sincero e leal ou ter desenvolvido a mente e o coração, de controlar os instintos em vez de ser controlado por eles, mas nunca o fez.
Graças a uma mentalidade consumista e fundamentada na concorrência, somos levados, quando jovens, a admirar pessoas espertas. Quando amadurecemos começamos a perceber, porém, que dignas de admiração são as pessoas generosas.
Tudo em nossas vidas, todas as complexas estruturas que gastam tanto de nosso tempo e de nossa energia são, no fundo, feitas de areia. Só o que permanece é nosso relacionamento com as pessoas. Este é o terreno fértil para se cultivar o jardim, afinal, “a felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido” (Marxwell Maltz). Todo aquele que deseja não desperdiçar a sua passagem por esta existência deveria ler o livro do rabino Harold Kushner: “Quando tudo não é o bastante” (Editora Nobel). Afinal, se viver é importante, o como viver é fundamental. “Viva cada dia de sua vida como se fosse o último, pois um dia desses vai ser mesmo” (Alfred E. Newman).