Matriculada na Escola da Juventude, Noemi Faustino da Silva, 35 anos, voltou a ocupar um banco de escola depois de 14 anos. Nesse tempo, ela engravidou, teve um filho e agora que ele está na adolescência, ela decidiu voltar a estudar.
Segundo ela, o retorno à escola, depois de tanto tempo, é uma questão de sobrevivência. Sem isso, hoje estaria desempregada. Noemi trabalhava até alguns dias atrás como temporária em um supermercado da cidade.
Até que surgiu uma chance de ser contratada em definitivo pela empresa, mas era preciso ter segundo grau completo ou estar cursando. Noemi parou na 2ª série do ensino médio (antigo colegial).
Desesperada por um lugar na sala de aula, ela foi até a escola Luiz Zuiani, onde ficou sabendo da Escola da Juventude e se matriculou. Quando entregou o comprovante de matrícula no setor de recursos humanos da empresa, ela conta que a funcionária ficou desconfiada, porque nunca tinha ouvido falar desse programa.
“Se tiver sorte de alguém te indicar para um emprego, ótimo. Mas se depender só do currículo tem de ter o segundo grau (ensino médio)â€, disse o vigilante Pedro Lopes Domingos, 33 anos, que também se matriculou na Escola da Juventude depois de quatro anos longe dos bancos escolares.
Outra que está voltando depois de muito tempo, 15 anos para ser mais exato, é a dona de casa Amélia Fidelis, 34 anos. Ontem, pela primeira vez, ela ligou um computador e digitou algumas poucas palavras durante a primeira aula de informática oferecida pelo programa, na escola Luiz Zuiani.
Ela contou que enquanto os filhos participam da programação da Escola da Família, ela vai para a sala de aula terminar o ensino médio e aprender a manusear um computador. Ontem, além dela, outros 11 alunos foram para a sala de informática. Alguns ficaram estáticos na frente da máquina, outros, sem saber digitar, procuravam letra por letra no teclado para formar uma frase.
No programa Escola da Juventude, todos os exercícios são feitos no computador, com acompanhamento de perto de uma monitora.