Mesmo com as obras inacabadas, o início das aulas na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Dirce Boemer Guedes de Azevedo, no Ferradura Mirim, trouxe alívio para pais de alunos. Até a semana passada, as crianças do bairro estavam estudando em classes emprestadas das escolas estaduais José Ranieri, no Jardim Carolina, e Francisco Brizola, no Núcleo Geisel.
Ontem, cerca de 320 crianças matriculadas na Emef iniciaram as atividades de ensino no novo prédio, que ainda cheira a tinta e poeira de obra.
“O importante é que as aulas começaram”, opina Ângela Ferreira de Araújo, que tem dois filhos matriculados no local. Ela afirma que vai se sentir mais tranqüila tendo os filhos estudando perto de casa.
“Quando eles estudavam no Ranieri não dava nem para ir na reunião de pais, porque era longe. Agora para trazer meus filhos aqui é bem mais perto”, diz a dona de casa, que se matriculou na escola como aluna da Educação para Jovens e Adultos.
Renata de Azevedo Silva também demonstra tranqüilidade pelo fato do filho de 7 anos estudar próximo de casa. Ela acredita que na nova escola os pais poderão acompanhar e participar mais de perto das atividades dos filhos. “Eu só espero que o ensino seja melhor”, diz.
A dona de casa Cleonice Teodoro Jacinto lembra que a escola era uma reivindicação antiga dos moradores do bairro. “A escola demorou muito para começar a funcionar. Mesmo sem ter acabado as obras, foi melhor ter iniciado as aulas”, conclui.
Inicialmente, seis das oito salas de aula da Emef foram disponibilizadas aos alunos, além do pátio, banheiros e refeitório. Ainda não entraram em funcionamento a biblioteca, sala de artes, áudio e informática, laboratório de ciências e a sala de atendimento odontológico.
O laboratório, sala de informática e almoxarifado esperam os últimos acabamentos, como pintura e colocação de azulejo. Já as demais salas permanecem desativadas porque ainda não foram instalados no local os equipamentos e materiais didáticos, como carteiras, armários, computadores e livros. A sala de professores não foi mobiliada. A maior parte dos materiais, segundo a direção, já foi comprada e aguarda apenas instalação.
“Nós não tínhamos mais condições de esperar. Para mim, o prioritário era poder trazer as crianças. O transporte até outras escolas estava sacrificando os alunos”, diz a diretora Ana Maria Victal.
O terreno que rodeia a escola está inacabado e deve ser limpo para depois receber gramado. Na área externa, restos de materiais de construção e entulhos podem ser encontrados pelo chão. Mas a direção da escola garante que os alunos não estão tendo contato com esses materiais. A assessoria de imprensa da prefeitura reiterou ontem que as dependências liberadas apresentam condições de segurança.
Ainda na parte externa, estão sendo finalizadas a instalação de canaletas para escoamento de chuva. A quadra esportiva aguarda pintura e as guias do estacionamento devem ser colocadas. “Faltam alguns detalhes”, defende a diretora de Divisão do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação, Rosângela Redondo Ribeiro.
O funcionário Paulo Henrique Machado, da empreiteira responsável pela obra, garante que até o final desta semana as obras na estrutura interna do prédio devem ser finalizadas.
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Longa espera
Mesmo com o prédio inacabado, a Emef Dirce Boemer Guedes de Azevedo foi “entregue” simbolicamente pela gestão anterior, no final de dezembro. “Eles entregaram a quadra. Não tinha nada pronto. Isso aqui era um canteiro de obras. Fizemos a matrícula dos alunos no pó”, relembra a diretora Ana Maria Victal.
Os estudantes do bairro foram matriculados na Emef mas tiveram que estudar até a semana passada em salas emprestadas pelas escolas estaduais José Ranieri e Francisco Brizola. Diariamente, eles se deslocavam até a frente da Emef e de lá partiam para as escolas estaduais em um ônibus disponibilizado pela Secretaria Municipal da Educação. A direção da unidade chegou a ensaiar o início das aulas no final de março, mas a possibilidade foi descartada devido às obras.
Para começar as aulas ontem, a diretora conta que foi preciso fazer um mutirão de limpeza no final de semana, com a ajuda de funcionários, professores e pais. Inicialmente, 11 professores estão trabalhando lá, além de outros cinco funcionários, entre diretora, merendeira e servente.