Turismo

Sergipe tem opções de norte a sul

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

A região conhecida como Costa dos Manguezais está no norte de Sergipe e é uma das mais visitadas do Estado. Pirambu é o seu “point”, um vilarejo charmoso, limpo, com um povo alegre e acolhedor. Mais de 50 barcos de pesca de camarões atracam no seu porto na foz do rio Japaratuba. A cidade é considerada um dos maiores centros pesqueiros do Nordeste. A extensa faixa litorânea de areais brancas, o clima agradável e as festas sazonais reforçam a vocação de Pirambu para o turismo. Lagoas, dunas, manguezais, trilhas e cachoeiras são cenários perfeitos para curtir bons momentos e relaxar.

Eleição feita pelo insuspeito guia francês “Grands Voyageurs”, colocou a Praia do Saco, em Sergipe, entre as 100 mais bonitas do mundo, considerando-se os cinco continentes. Entram na lista do “Brésil”, Jericoacoara e Morro Branco, no Ceará; e Lençóis Maranhenses, no Maranhão. “A praia do Saco está situada numa vasta zona ecológica protegida. A sua extremidade, com areia tão fina que parece farinha, mergulha no azul profundo do oceano Atlântico”, diz a revista.

Para o secretário de Turismo de Sergipe, Pedrinho Valadares, além da beleza natural da praia do Saco, a região sul do Estado ainda tem a Ilha da Sogra e o Rio Vaza Barris. Investimentos hoteleiros estão se fixando ali, como forma de consolidar o destino turístico. Os vôos charter’s (fretados) começam a chegar diretamente de Lisboa, Viena e Amsterda.

Com R$ 30,00 o turista passeia de escuna por essas maravilhas, com direito a paradas para tomar banho e as mordomias a bordo. Ainda tudo é muito barato no Sergipe.

Mangue Seco, que inspirou Jorge Amado a escrever Tieta do Agreste e onde foi feita a minissérie da Globo, está incluída no roteiro. O turista pode deixar a escuna por alguns minutos, embarcar num bugre e fazer uma incursão pelas imediações. As paisagens são de derrubar o queixo.

Xingó

Quem pensa que as atrações turísticas do Nordeste se resumem às praias, reservas ecológicas e dunas está enganado. No coração do agreste, entre Sergipe e Alagoas, existe um dos maiores potenciais turísticos do País. No Rio São Francisco está Xingó, que em língua indígena significa “águas sobre pedras”. É possível navegar pelo lago formado pela Hidrelétrica do Xingó, a terceira do Brasil, entre paredões de arenito vermelho de mais de 60 metros de altura. Na Gruta Talhada os catamarãs e escunas estacionam junto a um praticável para o mergulho dos turistas nas águas mornas. O cânion parece com o do rio Colorado, nos Estados Unidos. O passeio dura quatro horas e custa R$ 30,00.

A região do Xingó também oferece outros atrativos, igualmente deslumbrantes, a exemplo de cidades históricas como Poço Redondo e Piranhas; dos sítios onde Lampião, Maria Bonita e seus seguidores se escondiam até serem localizados e mortos na Fazenda Anjicos. A neta de Lampião e Maria bonita serve de guia pelos locais famosos da saga dos seus antepassados, inclusive a grota onde o grupo foi emboscado pela milícia e dizimado. O passeio tem 50 minutos de duração e custa apenas R$ 3,00. Achados arqueológicos de mais de 8 mil anos fazem parte de um ecomuseu.

O Xingó Parque Hotel, ousado quatro estrelas em pleno sertão, organiza passeios turísticos pela Trilha do Cangaço. No trecho, o turista do Sudeste fica conhecendo a vegetação típica da caatinga, a fauna do sertão, os paredões de rocha arenítica, o cânion do Xingó e a usina hidrelétrica com capacidade geradora de 3 milhões de quilowatts. Dá gosto ver a transformação que passou o Canindé do São Francisco e outros municípios do semi-arido depois de implantado o projeto de irrigação. Onde só nasciam espinhos surgiu o verde e as plantações de uvas, melões, mangas, tudo da melhor qualidade, graças à irrigação. O Nordeste, irrigado, pode ser o celeiro do Brasil.

De um lado as águas do Velho Chico, o mais brasileiro dos rios. Às suas margens a caatinga, palco de tantas emoções, atos de fé, ódio e amores, crime e castigo.

Parque dos Falcões

Ao pé da Serra de Itabaiana, cerca de 30 quilômetros de Aracaju, está o Parque dos Falcões, como é chamado o Centro Conservacionista de Aves Silvestres Nativas, criadas por duas pessoas muito simples - José Percilo e Ricardo Alexandre -, nascidos ali mesmo na região, dotados da persistência do sertanejo e a coragem dos fortes. Mesmo sem serem cientistas, transformaram o conceito de treinamento de aves de rapina e, a partir daí, criaram métodos para trabalhar a conservação e preservação da espécie.

A TV do Japão, revistas do porte da Geographic Magazine e o Discovery Channel mandaram equipes para verificar e descrever essa maneira diferente de trabalhar a relação homem-animal. Ao contrário das outras falcoarias do mundo, que condicionam o vôo à troca por alimentos, no Parque dos Falcões as aves são estimulados a partir da confiança e respeito adquiridos no convívio diário com o homem.

No Parque dos Falcões existem mais de 300 aves, entre corujas, falcões, gaviões, urubus, siriemas, socós-boi e também pombos, marrecos, gansos e pavões. O Parque tem desde a menor até a maior coruja do Brasil, e o legítimo falcão brasileiro. Algumas das aves são treinadas para vôos livres e também servem para a defesa do parque contra predadores. José Percilo conversa com cada uma e as chama pelo nome. Pandora é o gavião de cauda branca. Romualdo é o urubu de cabeça amarela. Tito está com Percilo desde 1983 – é um popular carcará. Curcur é uma corujinha buraqueira de apenas 23 centímetros e está treinada para defesa do parque. Ela se alimenta basicamente de insetos, mas também ataca estranhos que invadem os limites preservados.

Pertinho do parque está a cidade de Itabaiana, a capital nacional dos caminhoneiros. É incrível o número de jamantas, oficinas, borracheiros, auto-peças, vendedores e fretistas profissionais. A cidade vive disso e patrocina festas nacionais com os maiores astros e estrelas da televisão, em homenagem aos homens da “carga pesada”.

Nos distritos de Itabaiana, outra fonte de renda é a castanha de caju assada. Todos na vila, homens, mulheres e crianças, se dedicam à queima, quebra e escolha da castanha. De lá o produto é exportado e vendido nas praias. Curioso é que no município de Itabaiana não existem plantações de pés de caju. O produto vem do Ceará e do Piauí para ser beneficiado.

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Dicas

• Na praia de Atalaia, em Aracaju, bares, restaurantes e barracas atraem milhares de pessoas nos finais de semana. Destaque para a Passarela do Caranguejo. No “Cariri” tem forró. O pitu com pirão da Eliane está aprovado.

• No Mercado Central podem ser adquiridos artesanatos em cerâmica e palha a preços camaradas. Os boxes de mercearias vendem queijo de qualho a R$ 6,00 o quilo, doces típicos e castanhas de caju.

• Maniçoba, beiju de tapioca, torta de macaxeira, feijoada sergipana, catado de aratu, casquinha de caranguejo. É só entrar, imprimir a receita e provar Sergipe de verdade.

• Carnaval em Sergipe é época de descanso. O quente mesmo são as festas juninas.

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