Estamos às voltas com mais uma greve dos servidores da Previdência Social em nossa cidade e no País. Sabemos das dificuldades dos servidores quanto aos salários achatados, bem como à falta de servidores. Neste ponto, sou solidário aos mesmos. Porém, o INSS é uma autarquia da União, que não está nem aí, nem nunca esteve em outras greves, para a falta de atendimento do segurado que pagou e paga suas contribuições deduzidas diretamente da folha de pagamento sem direito a espernear.
Pensamos, então, a quem interessa esta greve? Ao segurado? Não, ele é o único prejudicado. Ao servidor? Também acho que não, pois depois vão ter que trabalhar dobrado para colocar o serviço em dia. Então, sobra somente uma alternativa, o governo, que deixa de pagar o benefício hoje para pagar amanhã, com uma folga a mais de caixa. Sem contar que existe hoje uma cultura que quem está afastado pela Previdência Social está nesta situação porque se encontra desempregado. Faz uso desta alternativa para sobreviver. Para quem pensa assim, é melhor descobrir que desemprego não é resultado de exames médicos complementares.
O que temos visto é uma terceirização de perícias médicas do INSS e uma brutal reclamação dos segurados que estão doentes e que nem sequer são ouvidos pelos peritos e têm seus exames e atestados analisados com atenção e critério.
Será que não há uma ordem para aliviar o número de benefícios em manutenção? A greve não estará auxiliando o governo a diminuir, mesmo que provisoriamente, o caixa?
Quem perde é somente o segurado. Onde está a lei do consumidor? Pois é, esta mesma lei diz que quando o prestador de serviços é o governo ela também vale. Cadê a contrapartida de serviços? Cadê a qualidade na prestação dos serviços públicos? Nossos defensores públicos, promotores, espero que vejam com carinho, como sempre, esta situação.
Nélio Souza Santos - RG 12.326.712-2