No público, são dezenas ou até centenas de milhares de pessoas à espera de um artista ou uma banda, que subirá ao palco para cantar seus grandes sucessos, preencher os ouvidos e provocar a emoção dos fãs. Entretanto, quando o espetáculo chega ao DVD, o público é muito mais exigente e qualquer detalhe de uma grande produção pode integrar as imagens perfeitamente – ou promover uma seqüência de equívocos.
Em razão disso, a gravação de um show exige, além de todos os detalhes e estrutura para encher a tela, uma grande sintonia entre o artista, o diretor e a equipe para que o público participe efusivamente e o produto final seja como um grande presente aos fãs.
Nessa semana, o cantor Daniel apresentou-se na Praça da Catedral de Botucatu em um show em homenagem aos 150 anos da cidade. A produção, parte da turnê “Te Amo Cada Vez Mais”, foi gravada e será transformada no terceiro DVD ao vivo da carreira do artista, nascido em Brotas. Em entrevista coletiva concedida na quarta-feira, Daniel comentou que a principal diferença para esse registro é o show ser realizado em local aberto.
“A maior emoção é poder gravar ao ar livre e com um público maior, é uma coisa diferente para mim. Este vai ser o terceiro DVD da carreira, mas nos dois anteriores nós fizemos em casas fechadas, o que se torna até um pouco mais fácil, tecnicamente falando; mas a energia que a gente vai ter em Botucatu vai ser superdiferente”, aponta o cantor.
Para ser um grande show, pelo menos duas coisas já estavam garantidas, no caso de Daniel: a presença maciça dos fãs do cantor, que lotaram a Praça da Catedral e as ruas adjacentes, e a megaestrutura montada especialmente para a apresentação. No palco, com 20 por 20 metros e cerca de 25 metros de altura, seis telões retráteis projetavam imagens e efeitos produzidos para a turnê.
As projeções acompanhavam os efeitos de iluminação, com equipamentos de última geração e que impressionam pela definição de cores e imagens, nítidas a centenas de metros. E, além dos equipamentos, há o “staff” do show: em uma apresentação normal, são cerca de 60 pessoas. Porém, com a gravação e a grandiosidade do espetáculo de Botucatu, havia, na quinta à noite, pelo menos 120 pessoas envolvidas para que tudo desse certo. Dos técnicos aos bailarinos, todos precisam estar em sintonia.
No palco e nas salas de edição, o comando do show e do DVD fica a cargo do diretor Aloysio Legey, responsável por produções grandiosas como o show “Amigos”, que reuniam as principais duplas sertanejas na década de 1990, e os especiais “Criança Esperança” e “Show da Virada”, da Rede Globo. Legey observa que a apresentação de Botucatu tem praticamente o mesmo formato da que foi planejada para o início da turnê, em uma casa de shows de São Paulo.
“Depois que um show estréia, eu me afasto com minha equipe quando percebemos que ele está pronto e adaptado para ir para a estrada. O show para o DVD tem apenas algumas adaptações, mas vai ter a cara do show que planejamos”, diz o diretor.
Luz, câmera, música
A gravação do show de Daniel contou com dez câmeras independentes, espalhadas por toda a Praça da Catedral. De acordo com Legey, todas as imagens seriam geradas, gravadas e já pré-editadas por um diretor de TV em uma central instalada no local. Além disso, as câmeras também receberiam fitas para captar a apresentação, independente da edição prévia.
Se um erro ao vivo pode ser motivo de brincadeira com o público, ele pode se tornar o mais chamativo e até mesmo ridículo em um DVD ao vivo. Em razão disso, o diretor observa que a gravação do show dá margem à regravação de algumas músicas ou momentos que não saíram exatamente como planejados.
“Sou a favor de gravar de novo, até porque o povo gosta. Nós teremos de parar de qualquer jeito, porque são dez câmeras gravando. Em algum momento, preciso parar para trocar as fitas. Se, aos 45 minutos, eu tiver uma falha, já aproveitamos para trocar a fita. O público entende, sem problema”, indica.
Ele destaca que alguns elementos precisam ser alterados para garantir que o show que já funciona bem ao vivo também seja agradável para quem assisti-lo em casa. É o caso da proteção de acrílico colocada para isolar o som da bateria e que espelha a luz, podendo prejudicar a gravação das projeções nos telões.
“Você tem que pegar o público pela emoção, na abertura, no meio e no fim. O Daniel aparece no palco como se tivesse sido colocado ali como mágica, é sensacional, e precisamos de muita sintonia com todos para tudo dar certo. Em lugar aberto, é preciso ter um bom som e concentração muito grande para o show não ficar dispersivo. O Daniel não faz um show assim, ele sabe conduzir seu espetáculo. E o som precisa ser maravilhoso, é isso que prende o público”, revela Legey.
Segundo Daniel, na turnê “Te Amo Cada Vez Mais” o que não falta realmente é emoção. Ele destaca dois momentos do show que considera especiais, além das muitas seqüências de sucessos de toda a carreira que ele canta com a banda durante a apresentação.
“Um dos momentos mais especiais é uma homenagem que a gente presta ao País em si e ao esporte, com uma versão que conseguimos de uma música do Freddie Mercury. Outro momento belíssimo é quando canto uma música do Renato Russo, no final do show. O Legey, que conheço há oito anos, sempre se preocupou com esse ponto de ter muita emoção dentro do show”, frisa.
Para os fãs curiosos com a produção, resta procurar as próximas datas na agenda de shows do cantor ou esperar o lançamento do DVD, planejado para o meio do ano.