Eles não admitem de jeito nenhum. Recusam-se terminantemente a dar entrevistas. Mas os médicos garantem: os homens também estão colocando silicone. Sem tempo ou disposição para passar horas “puxando ferro” nas academias, eles adotam a cirurgia plástica como um jeito fácil de conseguir aquele “corpão”.
Quando o assunto é correção estética, as mulheres ainda são maioria. Mas em alguns consultórios médicos, os homens que buscam uma cirurgia plástica já representam 20% dos pacientes.
Para o cirurgião Bashir Mussa Gazi, a busca pela beleza e pela juventude eterna acompanham o ser humano desde a Antigüidade. Mas por questões culturais e mesmo fisiológicas (a natureza é implacável), a mulher sempre esteve mais preocupada com a aparência que o homem. “Mas a vaidade é universal, não repeita sexo, idade, cor ou credo”, argumenta.
Na opinião dele, dois fatores tiveram forte influência para fazer aflorar nos homens a vontade de corrigir problemas estéticos. Um deles, a própria mulher. O outro, a sociedade cada vez mais competitiva.
“O homem quer melhorar seu físico para poder se apresentar melhor à sociedade, ao mercado de trabalho. Ser forte, ter porte bem masculino, pele bem tratada, músculos definidos é moda no século 21. Além disso, a procura masculina pelo ideal de beleza espelha-se no da mulher, que sempre valorizou a beleza estética”, acrescenta.
A novidade é que eles, que até há bem pouco tempo só se preocupavam com a calvície e, no máximo, com o formato do nariz, agora fazem questão de apresentar um corpo atlético. Eles repudiam a barriga, querem exterminar os “pneus” e fazem questão de uma silhueta bem definida.
“Há cinco anos, apenas 5% dos meus pacientes eram homens. Hoje, 20% das lipoaspirações que eu faço são em pacientes do sexo masculino”, comenta Gazi.
E eles querem mais. Eles querem atingir a perfeição idolatrada pelas mulheres: ombros largos, costas grandes, abdômen enxuto, tórax volumoso, braços e pernas fortes. Na vida real, só quem trabalha no pesado ou quem malha horas nas academias consegue esse resultado. Mas ao invés de sofrer, eles estão recorrendo ao silicone.
Hoje, os fabricantes dessas peças já oferecem modelos desenhados especialmente para aumentar peitoral (tórax), panturrilha (batata da perna) e bíceps (braço). Mas os cirurgiões advertem: não adianta aumentar ali e ter excessos acolá. O que torna um corpo realmente belo é o equilíbrio de suas formas.
“Eu, particularmente, como cirurgião, não gosto do resultado. Acho que fica muito mais artificial que o silicone para a mulher. Há casos em que você percebe que há um artifício para aumentar o volume. Mas eles querem e fazem de tudo, inclusive aplicação de toxina botulínica e preenchimento subcutâneo, para tentar retardar o que é inevitável”, pondera.