O Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo foi credenciado para fazer parte de um grupo de hospitais que filtram a qualidade de produtos, equipamentos e procedimentos hospitalares. Com isso, passa a integrar uma rede com cerca de 30 hospitais no Estado de São Paulo e 150 em todo o Brasil, inserida no Projeto Hospitais Sentinela, do Ministério da Saúde.
O coordenador das Unidades de Risco do HE e diretor do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, Carlos Magno Fortaleza, explica que, em um primeiro momento, o credenciamento da unidade não implica em repasse de verbas específicas para o hospital. Investimentos apenas ocorreram com as unidades hospitalares que iniciaram a rede.
Entretanto, o Hospital Estadual de Bauru adquire, de imediato, o status de preferencial a uma série de projetos do governo federal, como qualificação de laboratórios e capacitação de técnicos de farmácia. “O que nos interessa mais é poder dar mais segurança aos usuários”, justifica Fortaleza, destacando a importância do hospital ter acesso a esse sistema de informações.
Depois de credenciada, a unidade passou a ter acesso a um programa de computador (software) específico de informações. Fortaleza explica que, na última semana, o HE enviou as primeiras notificações para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O coordenador das Unidades de Risco preferiu manter em sigilo quais as ocorrências informadas, pois a agência ainda tem que confirmar os problemas. Num processo de investigação, que implica até em retirada do mercado de um determinado produto, as empresas envolvidas têm o direito de defesa.
Ao integrar a rede, o HE se insere numa categoria de hospital colaborador com todas as características das unidades de saúde integrantes da rede. Fortaleza ressalta que o HE possui perfil que o credencia ao projeto. Entre os critérios necessários estão o atendimento de alta complexidade, equipes que gerenciam a farmácia, equipamentos médicos e o grave problema das infecções hospitalares, entre outros itens.
Fortaleza esclarece que o hospital passa a controlar danos e falhas dos produtos nos pacientes. Segundo ele, antes do Projeto Hospitais Sentinelas havia notificações, mas em número muito aquém das ocorrências de problemas. A Anvisa criou um sistema ágil de notificações das ocorrências no sistema hospitalar.
O Projeto Hospitais Sentinela já conta com 150 hospitais, onde foram criadas equipes especializadas em apontar as ocorrências, unidas por uma rede ágil de informações. “Se um hospital detecta um problema com a medicação do lote ‘x’, todos os outros passam a ser acionados para ver se também têm aquela medicação”, explica Fortaleza. Ele acrescenta que os hospitais passaram a ter uma via mais rápida de comunicação com a Agência de Saúde.
No Projeto Hospitais Sentinelas, a avaliação recai sobre detecção, compreensão e prevenção dos efeitos adversos de medicação, problemas em kits laboratoriais, ou em decorrência do seu manejo mostrar-se incorreto. No caso de equipamentos, busca-se estabelecer com correção se um problema refere-se ao uso ou há defeito de fabricação.