Regional

TG de S. Manuel deve fechar em 2006

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

São Manuel - O Tiro de Guerra (TG) de São Manuel (69 quilômetros a sudeste de Bauru) parece estar com os dias contados. A prefeitura anunciou que a partir do próximo ano não irá mais repassar dinheiro nem ceder funcionários para seu funcionamento na cidade. O TG de São Manuel completa este ano 88 anos de existência.

O prefeito Flávio Roberto Massarelli Silva (PSB) alegou que está precisando cortar despesas. Por isso, decidiu suspender a ajuda financeira ao TG. Segundo ele, todos os anos a prefeitura gasta cerca de R$ 60 mil para manter essa unidade do Exército em operação na cidade. A verba para este ano está garantida.

A partir de 2006, o TG só continuará funcionando se o próprio Exército bancar todas as despesas. Atualmente, cabe ao Exército a remuneração dos instrutores, equipamentos, uniformes, manutenção de material e munição. Já a prefeitura cobre as despesas com funcionários, água, luz e telefone, entre outras.

Em nota à imprensa, o Comando Militar do Sudeste (CMSE) informou que não tem interesse de encerrar as atividades do TG de São Manuel. No entanto, sem a colaboração da prefeitura dificilmente haverá continuidade das instruções militares na cidade.

Em caso de fechamento do TG, o comando do Exército adiantou que, em princípio, os jovens em idade de treinamento militar não serão encaminhados para outras unidades. O Exército confirmou o recebimento do ofício da Prefeitura de São Manuel anunciando a intenção do município em rescindir o convênio que viabiliza o TG.

Segundo informações do subtenente Sebastião Custódio da Silva, responsável pelo treinamento militar em São Manuel, existe atualmente uma turma de 50 atiradores na cidade. Esse número já foi bem maior, segundo recordações do próprio prefeito, que serviu em 1977.

Ele contou que naquela época existiam duas turmas de 80 atiradores, mas “os tempos eram outros”. “Para mim (o Tiro de Guerra), foi muito importante. Mas hoje não tem mais a mesma característica”, acredita o prefeito.

Segundo ele, a maior parte dos jovens com 18 anos não aprova o treinamento militar porque ele acaba se transformando em um empecilho na hora de arrumar emprego e atrapalha nos estudos por causa dos horários.

Silva afirmou ainda que prefere usar o dinheiro do TG para investir em um projeto social, mantido pela prefeitura, que atende crianças de 7 a 14 anos. Atualmente, são atendidos 84 menores. A intenção é ampliar esse número para 250.

O projeto consiste em ensinar as crianças a costurar, bordar, tocar instrumentos musicais como viola, violão, teclado, piano, além de oferecer aulas de informática, dança e teatro. A idéia é ocupar as crianças e adolescentes o dia todo. Eles passam um período na escola e no outro participam do projeto.

“Prefiro educar as crianças de 7 anos do que corrigir as de 18”, comparou Silva, dando mais importância ao projeto da prefeitura do que ao treinamento militar proporcionado pelo TG.

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