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A sucessão


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O governo Lula da Silva caminha acelerado para um grande atoleiro. A vaca está indo para o brejo. O acúmulo de equívocos políticos nunca é perdoado pela opinião pública. Zé Dirceu acredita na reeleição de Lula, mas afirma que os petistas estarão em palpos de aranha. As eleições de 2006 serão árduas: eleição do novo presidente, eleição dos governadores, renovação de dois terços do Senado, renovação da Câmara Federal e das assembléias legislativas. O povo, mais uma vez, vai acertar as contas com seus representantes... Todos os partidos pensam em candidaturas. A estratégia é jogar o laço. Se errarem a mão, estão todos prontos para selarem alianças, composições, achegos e mumunhas que ocorrem na antevéspera das campanhas eleitorais. É regra geral de procedimento dos inúmeros e abundantes partidos autorizados pelas nossas generosas instituições democráticas.

Nem vamos falar da prática escabrosa dos pequenos partidos. Poucos têm condições de lançar candidaturas. Tentam um acordo aqui, uma aliança ali ou negociam acertos acolá. Reformas políticas são imploradas. O governo Lula, que tanto prometeu, faz ouvidos de mouco. Parlamentares e partidos não querem marolas. Os apocalípticos aludem a projeto autoritário do Planalto. Quanto mais desintegrar os partidos, melhor para seus intentos.

Neste início de ano, o PFL testou César Maia como candidato. O PMDB trilha a rota da candidatura própria. Pela força das novas lideranças, pode surpreender. Mas os clãs políticos regionais envelhecidos não dão mais no couro. Alguns se achegam ao governo. Outros não enfiam a mão em cumbuca. Por onde andará o prestígio de Lula no próximo ano? O PTB faz chantagem explícita na tevê. O PP mantém, após a eleição de Severino, a eterna ambigüidade herdada da ditadura. O PSDB começa a conversar sobre a sucessão. Tem na manga do colete a força da candidatura FHC. No bolso do colete, o prestígio paulista do governador Geraldo Alckmin. Um ou outro provoca frio na barriga dos petistas. Um grande líder do PSDB lembra que candidaturas não podem ser planejadas com grande antecedência.

Em São Paulo, não se pode escapar da polarização entre governo federal e governo estadual. O entrevero será entre as situações e as oposições. Os candidatos viáveis sairão ou do PSDB ou do PT. Claro que precisamos levar em conta a fragilidades dos partidos políticos. O PT em processo de esvaziamento e de fragmentação. O PSDB não fica atrás. Mesmo com o governo estadual em mãos, o partido está frágil pelo Interior de São Paulo. Prefeitos petistas queixam da cúpula nacional que não dá bola para as bases. Prefeitos do PSDB pedem mais atenção das lideranças estaduais.

Despontam no PT, o senador Aloizio Mercadante, candidato do Planalto. Zé Genoíno, candidato do partido, que quer repetir a dose. João Paulo Cunha, que cresceu na presidência Câmara, que tem a seu lado facções sindicais. A Marta, depois da derrota, quer por as manguinhas de fora. O PSDB tem a alternativa poderosa da candidatura FHC ao governo do Estado. Os quadros partidários são expressivos. Aloysio Nunes Ferreira é sempre apontado com maior destaque. Na máquina partidária, José Aníbal alimenta esperanças. O governador aludiu a auxiliares. Nenhum emplacou. Hoje, desponta Emanuel Fernandes, secretário da Habitação, ex-prefeito de São José dos Campos. O trote da carreta indica que o candidato do PSDB sairá do conclave do governador Alckmin com o presidente Fernando Henrique e com o prefeito José Serra. Quem viver verá...

O autor, Ulysses Guariba, é professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP

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